Sobre retrovisores

Lucas Mendes
Mar 9, 2019 · 2 min read
É a primeira vez que a imagem realmente ajuda na compreensão do texto

Apesar de não dirigir, tanto por não gostar quanto por reprovação nas provas práticas, sempre achei fascinante a dinâmica do trânsito. Quando estou no carona ou da janela do ônibus, é impossível não prestar atenção pelo menos um pouquinho no movimento na cidade e as coisas inusitadas que acontecem do lado de fora. Acho que a essa altura, teria um livro completo se tivesse anotado todos os causos. Não disse que seria um livro interessante.

Uma parte do carro que acho bem curiosa é o retrovisor. Apesar do meu vô não ver necessidade de sua existência, a verdade é que é sim uma parte importante do veículo, até porque você precisa estar atento aos outros malucos com carteira. Além de parecerem orelhas dos carros, ela é a sua parte mais frágil e também a mais exposta, talvez daí que venha sua delicadeza. Exceto quando são grandes, como de caminhonetes, aí são orelhas comparáveis a do Lima Duarte (fica o aviso contra procurar no Google Imagens). De qualquer forma, fico abismado o quanto de cuidado é necessário pra não passar quebrando os retrovisores abertos, seja observando um ônibus em rua estreita ou um motoqueiro tentando passar em lugares claramente impossíveis. Quando vejo um quebrado, só consigo me imaginar sendo o tipo de pessoa que esqueceria de fechá-lo, ou responsável por quebrá-lo.

Outro detalhe que gosto em retrovisores é aquele aviso "os objetos no espelho estão mais perto do que aparentam" nos carros importados. Ainda que a frase seja pra alertar a grande parcela das pessoas que não sabem sobre convexidade de espelhos, existe um pedaço de filosofia cotidiana óbvia, já que é bem complicado saber da real intenção das pessoas próximas e julgar pela sua própria maneira de agir não é a melhor ferramenta para isso. Mesmo assim, acho que a sabedoria popular, protagonizada antigamente pelas frases de efeito nas musicas do Chorão do Charlie Brown Jr. tem sua parcela de valor para o jovem brasileiro. Tal qual o cara que escreve poemas bobinhos e pobres nas latas de lixo de BH. "Os objetos no espelho estão mais perto do que aparentam, acrescentam ou atormentam?".

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Analista Internacional (PUC Minas), liberal, botafoguense e focado no Leste Asiático.

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