Temos uma visão confusa sobre a importância da mudança. Ou melhor: temos uma visão confusa sobre a necessidade de mudança. Estamos de acordo que alguma mudança é necessária para chegar aonde queremos, certo? Mas será que, em muitos casos, não é mais importante zelar por aquilo que não deve mudar?

Em negócios fala-se muito em inovação. Que a inovação é a única opção. Faz sentido. Mas e se “inovarmos” justamente em algo que nos sustenta, que nos mantém relevantes? Se, na ânsia por mudanças, e sem um diagnóstico preciso, mudamos o que não deveria? …


Caro leitor: pense na pessoa que você mais admira. Quem sabe é alguém da sua família. Quem sabe é alguém famoso. Ou talvez alguém em quem você se espelha.

Como você descreve essa pessoa? O que você fala quando fala sobre ela?

Pois bem, agora vem a pergunta crítica: por que não falamos sobre nós mesmos da mesma forma que falamos deles? Por que não tratamos a nós mesmos com o mesmo respeito que tratamos os nossos heróis? Não merecemos tamanha honraria?

Idealizamos as pessoas que admiramos, e absurdamente acreditamos que elas não têm os nossos medos, as nossas falhas…


O leitor já deve ter visto alguém divulgando algo polêmico em redes sociais, só para ganhar mais curtidas. Ou postando uma foto ousada. Ou um desabafo, ou uma denúncia. Esses fenômenos que já são bem conhecidos por todos nós.

Nosso debate costuma ser em torno do conteúdo postado. Julgamos e criticamos com base nos nossos valores, no nosso ponto de vista. Mas creio que existe um efeito colateral desse jeito moderno de se expressar que deveria gerar uma preocupação maior: o quanto isso nos molda como pessoas. O quanto isso afeta a nossa rotina.

Um exemplo: procuramos experiências que possam…


Um comportamento característico do ser humano aflora em períodos eleitorais: direcionar a sua ira (ou insatisfação, medo, angústia) para o mundo exterior. Encontrar culpados. Inventar inimigos.

Será que não é uma forma quase inconsciente de evitar lidar com os conflitos que ele tem dentro de si? Uma forma de evitar o espelho e, no conforto da crítica, ignorar os próprios erros e vícios? É isso: esquecemos de olhar para o espelho, mas xingamos na janela.

Será que, em última análise, eu me tornei errado porque o mundo está errado? Isso significa que, se o mundo ficar da forma que eu…


Você tem visto ultimamente aqueles adesivos de bonecos representando uma família feliz, na traseira dos carros? Eu vi um há alguns dias e me chamou a atenção. Não sei se alguém ainda compra esses adesivos e cola no carro — os que ainda existem, me parece, são de um passado recente. Saiu de moda, e o motorista não conseguiu desgrudar.

Se todo mundo está fazendo algo de um jeito hoje, amanhã será feito de outro.

E isso desperta inúmeras perguntas. A principal, creio eu: por que só fazemos o que os outros já estão fazendo?

Ser e fazer diferente hoje…


Dizem que Aristóteles lecionava enquanto caminhava pelo pátio da sua escola em Atenas. Os alunos acompanhavam a caminhada e os raciocínios do mestre.

Dizem que Nietzsche caminhava até oito horas por dia, carregando consigo um caderno de anotações.

Darwin, Einstein, muitos dos gigantes caminhavam para colocar as ideias em ordem. E também para ter novas ideias.

Uma carroçada de estudos apontam os benefícios das longas caminhadas — não apenas para a saúde física, mas também, e quem sabe mais ainda, para a saúde mental.

Uma sala fechada não costuma ser o melhor local para fomentar a criatividade.

Que estranho escrever…


Talvez você já tenha recebido uma mensagem de golpistas. Quem sabe um e-mail, quem sabe um SMS de um número que você desconhece.

Esses golpes costumam vir mal escritos, cheios de erros de grafia e concordância. Ou com promessas absurdas. E você pensa: “O golpista é tão amador que nem corrigiu o texto! E nem percebe o quão surreais são os absurdos que ele promete!”

Quem sabe esses erros sejam propositais. Ele não quer que alguém inteligente como você caia no golpe. Para ele, é bom que você não caia. …


É relativamente fácil escrever um texto emotivo. Você pode, digamos, contar uma situação que você presenciou, relatando o que supostamente sentiu. Instigando o leitor a sentir a mesma coisa.

Temos dois emotivos nessa situação: o texto pode ser emotivo, ou ter função emotiva. E quem escreve pode estar emotivo no momento da escrita — e isso vai influenciar a mensagem.

Não sei se necessariamente os dois andam juntos: todo texto emotivo teve um autor emotivo escrevendo? Ou o autor consegue provocar a emoção apenas em quem lê? Frio e indiferente digitando — e fazendo o eleitor chorar? Acho difícil. …


Imagine que a vida seja um filme. Nesse filme, você não é o ator principal.

Você também não é um ator coadjuvante. Você é muito menos o diretor.

Você é um figurante, sabe? Aquelas pessoas que eventualmente aparecem na cena, sem falar nada. Você, eu, todos nós somos figurantes.

Eventualmente um figurante é chamado para desempenhar um papel. Por exemplo: você vai ter que enfrentar uma situação extremamente difícil. Como você vai atuar?

Essa perspectiva pode representar um duro golpe na sua visão de mundo. Você que achava que era único, especial, e que a vida lhe reservava somente lindas…


“Você viu a última? Saiu hoje de manhã. E o que comentaram, você acompanhou? O que será que vão falar amanhã?”

Perceba, leitor: não importa o que você curte, o que você quer saber. Sempre tem novidades saindo. E você vai tentar acompanhar tudo?

Um ótimo exemplo é o noticiário. Sempre vai ter uma tragédia ao redor do mundo para você ficar chocado. Sempre vai ter um escândalo novo na política para você ficar indignado.

Assim que você decide saber o que está acontecendo no mundo, você vai pensar no que acontece no mundo. Isso é bom? …

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