Mentalidade de Caranguejo

“Se eu não posso, você também não pode”

Você já viu caranguejos em um balde? Tem vídeos no youtube. Eles ficam se agarrando pra ver qual deles vai conseguir fugir, e no fim nenhum consegue. Bastaria eles deixarem uns aos outros em paz, mas eles ficam competindo e se atrapalhando. Essa é a “mentalidade de caranguejo”.

Claro que eu não quero falar de caranguejos. Quando uma pessoa se destaca, agarram e dizem:

“Onde você está indo? Você tem que ficar aqui no balde com a gente.”

Isso aconteceu comigo várias vezes. A última foi quando publiquei o artigo “Vou viver de jogos e ninguém pode me impedir”. Escrevi esse texto meses atrás para poder ler e lembrar do ímpeto que me fez largar o emprego para criar jogos. E para convencer minha namorada que era isso que eu queria.

Publiquei o texto porque quero me expor mais. Alguns gostaram e se sentiram motivados, outros odiaram e criticaram. Faz parte de mostrar a si mesmo para os outros. O balde é assim.

Sou um self-made man fabuloso.

Conheço os caranguejos desde adolescente. O primeiro achievement que eu valorizo na minha vida, e sei que para os outros não tem valor algum, foi ter sido eleito “presidente” do fórum do WCReplays, uma comunidade de WarCraft III. Era só um concurso de popularidade, mas eu era um jovem brasileiro com inglês tosco que conseguiu fazer coisas legais a ponto de ficar mais popular que donos e staff do site. E tinha muita gente legal, como o David “Phreak” Turley que hoje trabalha na Riot. Logo que ganhei, começou o ódio de vários membros contra mim. Eu aprendi rapidamente o seguinte:

Quanto mais pessoas gostam de você, mais pessoas te odeiam.

Esse destino se confirmou de novo e de novo em outras comunidades. FHBD, AGDG… por onde eu passo eu acumulo haters. Acabei saindo de várias porque é melhor ficar sozinho do que conviver com ódio. Ou o problema é a natureza humana, ou sou eu. Admito que sou fácil de odiar. Deve ser um pouco dos dois.

Novamente forças terríveis levantam-se contra mim¹ e me agarram pra me manter no balde. Ou são só comentários do Facebook. Seja como for, ninguém vai me impedir. Nem os caranguejos.


¹ Frase roubada da renúncia de Jânio Quadros.

Fake Update: o Andre Asai é uma pessoa que eu sempre admirei muito pelas contribuições ao desenvolvimento de jogos e pela atitude independente. É alguém que não tem medo de ter uma opinião diferente e criticar o que ele acha que precisa ser criticado. Óbvio que não concordamos em tudo, mas espero que ele não me odeie porque eu acho ele super legal.

Nessa imagem você vê que tá tudo bem agora.

Me siga no twitter para acompanhar esta saga de amor e ódio.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Lucas Molina’s story.