Um desenvolvedor empreendendo

O que aprendi sobre networking

Em abril de 2015, resolvi pedir demissão e começar a empreender. Errei muito desde então, e faz tempo que quero compartilhar o que aprendi sobre networking.

Como programador eu estava acostumado a resolver problemas, o que ajuda muito a empreender. Porém, os problemas são bem mais exatos e com variáveis conhecidas, o que não tem muito a ver com empreender. Ao empreender, a ansiedade é extrema! Se assume vários riscos e inicia várias tarefas subjetivas que não vão gerar um retorno imediato.

Toda esta subjetividade me geravam um desconforto. Eu tinha o sentimento de que se eu não estivesse programando, eu não estava trabalhando.

Decidi buscar boas referências, e começar a compartilhar minhas dúvidas com alguém que já tivesse passado por muita coisa. E para isto, eu precisava começar a fazer conexões.

A tarefa

Decidi dedicar uma semana inteira para fazer conexões, e este foi meu primeiro erro. Fazer conexões não é uma tarefa, não existe um deadline, não existe uma estimativa de tempo e muito menos um fim, pois estamos falando de desenvolver relacionamentos. Estamos falando, simplesmente, de pessoas.

Não me sinto confortável em cuspir regras e passos de como se deve desenvolver conexões. Então acho que a maneira mais sincera de compartilhar algo de útil com você, é contando na prática o que eu fiz, o que errei e o que aprendi.

Na prática

Comecei listando alguns lugares onde pessoas bem conectadas poderiam frequentar e qual seria o perfil destas pessoas. Comecei a listar desde grupos na internet, faculdades e coworking spaces.

Foi quando tive um insight: procurar por empreendedores que se graduaram pela Stanford Graduate School of Business.

O meu raciocínio era simples: Quem passou pela SGSB teria frequentado vários eventos, workshops e meetups. E com isto adquirido uma boa rede de contatos. Essa rede, por sua vez, poderia ser uma ponte para um bom mentor e possivelmente um investidor anjo.

A melhor ferramenta de pesquisa para isso foi o LinkedIn. Todos que passaram por lá, teriam colocado em seu profile.

✋🏼 Uso indevido do LinkedIn

Após pesquisar no LinkedIn por pessoas que passaram pela SGSB, comecei a mandar solicitações de convite e enviar mensagens privadas. O resultado você já deve imaginar: quase todas minhas solicitações de contato foram aceitas, porém não obtive retorno de minhas mensagens.

O botão de invite deve ser o seu aperto de mão virtual.

Fiquei imaginando o quão idiota foi sair adicionando todo mundo no LinkedIn. É como se você estivesse em um evento distribuindo cartões, sem ao menos ter se apresentado — a grande maioria dos cartões que recebo em eventos estão em alguma gaveta, o restante são de pessoas que me impressionaram, e eu iria atrás do contato delas anyway.

Após me imaginar em um evento em Stanford, percebi que precisava transpor a presença de espirito de um aperto de mão para o mundo virtual. Assim não haveria limitação geográgica, e a distância de um ecossistema maduro não barraria o desenvolvimento da minha rede de relacionamentos, mas eu ainda não estava pronto.

Para chamar a atenção

Era preciso conhecer um pouco mais sobre cada indivíduo que eu entraria em contato. Fui para o Youtube e comecei a procurar videos de Stanford Graduate School of Business. Acabei encontrando essa apresentação do Dave McClure para uma das turmas.

Após assistir o video em torno de cinco vezes, comecei a anotar o nome de todos os alunos que faziam perguntas, assim como o meu ponto de vista sobre o assunto. Voltei para o LinkedIn e, ao invés de sair adicionando e fazendo pitch, comecei a me apresentar como alguém que gostou muito do debate e gostaria de dar uma opinião sobre o assunto.

Consegui conversar com dois alunos, e trocar algumas mensagens com o professor da turma. No desenvolver da conversa, consegui enviar meu pitch deck e então receber alguns feedbacks. O interessante foi que um dos alunos não sabia muito do mercado em que atuamos, mas ele conhecia um VC que poderia se interessar, para qual ele encaminhou nosso pitch deck.

Não faça seu pitch!

Não fazer meu pitch logo de cara foi um game changing. As pessoas automaticamente levantam uma barreira defensiva se você começar a conversa com o seu pitch. — entretanto, esteja sempre preparado para fazê-lo.

Pessoas engajam com perguntas. Costumo iniciar a conversa com alguma pergunta que englobe a área de atuação da minha Startup, relacionando com um assunto de interesse da pessoa. Dando uma rápida olhada no que ela compartilha, escreve e curte, tive vários insights de como começar uma conversa produtiva.

O que posso dizer é que entre a urgência de sair fazendo o seu pitch, e a calma de primeiro conhecer as pessoas com que você quer se relacionar, existe poucas horas de dedicação e muita paciência.

As pessoas que mais me ajudaram, mais me alavancaram, foram as que eu já tinha desenvolvido um relacionamento, por afinidade e interesse mútuo. O mais importante é que ninguém perca o seu tempo. Deve-se ser transparente e manter a mente aberta.

Um Abraço!

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