Quarto escuro.

Quando estava andando nos corredores da vida, procurando um lugar em que pudesse não apenas entrar — mas pudesse ser, encontrei o seu.
Nele havia apenas uma pequena luz, que mostrava poucos centímetros. Em cada centímetro desse quarto, no entanto, havia mil detalhes, adornos. E a cada dia descubro um.
E nesse seu quarto toca música clássica, tocada nos melhores instrumentos. E tem um cheiro gostoso que hoje tento decifrar em meio ao trem que pego em hora de pico, e tem um calor que me abraça, que me faz sentir calor…
Mas então, tentando me aprofundar dentro deste quarto, desperta em mim uma verdade que eu tentava ignorar, mas que resolveu fazer presente com forte gravidade:
Mesmo que a cada vez mais eu tente ver mais, ainda há escuridão em volta. Em todas as direções. Percebo que onde eu piso é escuridão, e não consigo encontrar as paredes por mais que estique os braços e esbarre no todos os detalhes… e será que um dia vou conseguir enxergar tudo? 
A graça, acredito eu, é justamente tropeçar nos cantos escuros e mergulhar no desconhecido. Mas há certos desconhecidos que a mim não deveriam ser desconhecidos. 
Mas o mundo não se rodeia em mim. Muito menos no seu quarto.
No entanto, me pergunto até que ponto posso adentrar nele. A porta parece próxima sempre que olho para trás…
Só que quando penso em olhar pra trás, penso em todas as maravilhas que posso ver a frente. Há certas belezas que não foram feitas para certos olhos.

Enquanto ainda quero desbravar neste seu quarto, segure minha mão e mostre-me os lugares comuns dele. Não os segredos — destes eu sei que tem demais. 
E me faça me afastar da porta.

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