Tite na seleção brasileira e o reconhecimento tardio.

Ex-treinador do Sport Club Corinthians Paulista não recebia o reconhecimento e tratamento de hoje.

O reconhecimento tardio é um fato nítido na nossa sociedade, no futebol é mais evidente por estarmos em convívio frequente e tomarei o exemplo mais recente que essa contradição foi percebida.

Tite em suas passagens pelo Corinthians acumulou títulos, vitórias, derrotas, reconhecimento de uns e desprezo de outros, seja de torcedores de outros clubes ou jornalistas esportivos.

Em momento atual, como técnico da Seleção Brasileira de Futebol é nítido o reconhecimento e apreço que o torcedor brasileiro tem por ele. Muito ao fato de ter trazido a esperança de classificação para a Copa do Mundo, o hexacampeonato, vitórias, futebol vistoso e ter resgatado a paixão que o torcedor nutria pela Seleção no passado. Hoje é visto como um dos melhores treinadores do mundo e há dúvida se não é tão amado e prestigiado quanto o maior estrela do time.

Ter treinado um clube como o Corinthians, onde ser amado e odiado estão quase nas mesmas proporções afetou a percepção dos demais torcedores de outros clubes em reconhecer o seu talento em comando de grupo, visão de futebol, treinos, escalação e forma de jogar.

Quem nunca o chamou de Empatite? O técnico que representava a antítese do que tanto odiamos.

Tite em sua primeira coletiva como treinador da Seleção Brasileira de Futebol.

E o considerava como um “anti-futebolista” pelo futebol retranqueiro após um simples gol? Fato marcante em sua segunda passagem; totalmente contrário ao futebol ofensivo apresentado em sua última passagem pelo Parque São Jorge. Mesmo suas vitórias e conquistas em demais clubes com méritos não tinham o reconhecimento a nível nacional que detém hoje. Um fato que ocorre com demais treinadores e jogadores.

As críticas sempre foram maiores do que os elogios.

Não é uma opinião geral. Torcedores de outros clubes e jornalistas esportivos sempre reconheceram o seu talento como técnico e como o responsável direto pelas vitórias do Corinthians. Mas sempre foi mais cômodo atribuir as vitórias ao “apito amigo” “esquema gambá” “esquema de corrupção “favorecimento corinthiano” do que reconhecer o talento do treinador e sua capacidade de tirar o melhor dos jogadores e o poder da equipe.

Conhece o ditado popular que a grama do vizinho é sempre mais verde? No futebol tal expressão é quase inexistente, a negação da realidade é um dos fatores mais presentes na nossa cultura futebolística. É como se fosse um consenso entre torcedores clubistas não reconhecer quando o técnico ou jogador de outro clube merece tal elogio.

Infelizmente é um costume que a nossa cultura esportiva nutre e que dificilmente deixará de existir, possivelmente por estar arraigada e ser o motivo de alimentar rivalidades, discussões e embates futebolísticos.

Mas as pessoas na internet não perdoam. Acontecimentos registrados em redes sociais, especialmente no Twitter não são esquecidos. Sempre terá alguém para desenterrar um tweet antigo e demonstrar a hipocrisia. Foi automático, após a última vitória da Seleção Brasileira os elogios sendo rasgados ao treinador — e os torcedores relembrando as críticas e a falta de reconhecimento ao mesmo em seus trabalhos anteriores.

E assim seguimos trabalhando e revisando os nossos preceitos… ou não.