Amor estranho Amor
A comunicação é um processo realmente incrível. A Internet então! Puff, Puff! Brilha na locomotiva dos modismos comunicativos que todo cidadão de bem gosta de participar!

A par de uma análise mais profunda e academicamente gloriosa, vou apenas cuspir meia dúzia de achismos tragicômicos da nossa feliz comunidade virtual.
Vi crescer de uns tempos pra cá um amor louco da classe média brasileira: versalizar, verbalizar, e ornamentar as paredes da ~rede mundial de computadores~ com a palavra que facilmente poderia ganhar as honras de substantivo mais genial do nosso ainda prematuro século: "petralha".
Não quero entrar em pormenores políticos, históricos, midiáticos ou qualquer outra forma de análise séria da situação aqui. Quero apenas diagnosticar um novo processo linguístico que os gramáticos, talvez, ainda não tiveram tempo de registrar nas normas cultas do nosso português. O termo "petralha" é uma palavra de uso universal. Mais útil e geral que o famigerado e largamente abusado pronome relativo "que" - que diga-se de passagem e sem qualquer estatística eu afirmo que era a palavra mais abrangente do português até o início da primeira década do século XXI - o termo petralha entrou pra história da língua como um emplasto contextual da escrita e da fala do brasileiro de bem.
Analisando rapidamente comentários de notícias, comentários de fotos, post e qualquer outra forma de expressão textual que a Internet trouxe pra gente, percebe-se claramente a função emplástica da palavra. É certamente uma revolução digna de desbancar qualquer teórico semioticista francês.
A palavra foi encontrada em todos os assuntos possíveis. Fotos de gatinhos, fotos de família, fotos de casas, posts patrocinados de empresas de refrigerante, posts não patrocinados de empresas de refrigerante, fotos de bebês, posts que defendiam o valor culinário do bife de fígado, notícias do caderno de esportes, notícias do caderno de informática, notícias do caderno de Cultura e, pasme, até mesmo nos caça-palavras e nos horóscopos de sites esotéricos.
Enfim, gostaria apenas de compartilhar essa descoberta que fiz. Creio ter descoberto o éter palavrístico da língua portuguesa. Quem sabe até mesmo de todas as línguas de origem Latina, ibérica ou germânica. Muito cedo pra saber. Mas o que importa é que o petralha é, de fato, a mais utilizada e amada das palavras do novo século.