Soneto da casa azul

Busco-te no dorso da cidade 
Sinto-te nos calos da minha mão
Perco a esquizofrênica vontade
À análoga fome e indigestão

Meu cininismo mal contado
Fez-te amante, pois, inimiga
Há tempos teu calo acordado
Me tanto rói o sono e a barriga

Me afoguei numa inveja cerrada
No melado que sua mão tocou
No lascivo de uma noite abortada

E me enxuga o gozo e o choro
A uma inadimplência mentirosa
Sem métricas e sem rimas.

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