O que é taxa SELIC: 6 simples coisas que farão você parecer um expert no cenário econômico brasileiro

"O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros da economia em 0,75 ponto percentual. Com isso, a chamada taxa SELIC passa a ser de 12,25% ao ano. É a menor taxa em 2 anos. O Banco Central afirmou que a inflação está sob controle e que a economia se recupera de forma gradual."

Confira o artigo completo em: http://edufinance.com.br/investir/o-que-e-taxa-selic/

Com certeza você já ouviu essa notícia no Jornal Nacional, seja recentemente, como ocorreu no dia 22 de fevereiro, ou não.

Você pode até não assistir televisão, mas deve ter ficado sabendo da alteração da taxa SELIC de alguma forma, seja na internet ou em uma roda de amigos.

Mas será que você realmente entendeu e assimilou o significado e os impactos dela?

Acontece que essa notícia é frequente e, apesar de grande parte da população não ter a mínima noção do que ela significa, impacta diretamente as nossas vidas.

Se você quer se diferenciar de grande parte da população brasileira e entender tudo que você precisa saber sobre a taxa SELIC, continue lendo.

Neste artigo você vai aprender sobre:

  • O que é SELIC?
  • O investimento mais seguro do Brasil
  • Pra que serve a taxa SELIC?
  • Qual é o papel do Banco Central nessa história?
  • O que é COPOM?
  • Como a taxa SELIC afeta a sua vida.

1 — O que é SELIC?

SELIC é a abreviação de Sistema Especial de Liquidação e Custódia. A princípio não quer dizer nada, né?

Simplificando: é um "computador" que tem a função de anotar, guardar e operar os títulos públicos federais emitidos pelo governo. Daí a utilização das palavras "liquidação" e "custódia". O acesso a esse sistema é restrito a instituições financeiras.

Como já mencionamos, no nosso guia completo sobre renda fixa, os bancos emprestam dinheiro entre si para suprir alguma necessidade que venha a ocorrer de um dia para outro.

Para isso, diariamente, os bancos acessam o sistema e realizam essas operações a uma taxa conhecida como taxa SELIC overnight.

Taxa SELIC Overnight

"Define-se Taxa Selic como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais. Para fins de cálculo da taxa, são considerados os financiamentos diários relativos às operações registradas e liquidadas no próprio Selic e em sistemas operados por câmaras ou prestadores de serviços de compensação e de liquidação."

WTF?!

Essa é a definição do próprio Banco Central para taxa SELIC. Mas o que isso significa?

A taxa SELIC overnight nada mais é que a taxa de juros praticada quando um banco faz um empréstimo de 1 dia para outro banco, usando como garantia (ou lastro) os títulos públicos federais.

E quais as implicações disso?

Como já vimos em outro artigo, as taxas de juros são, geralmente, proporcionais ao prazo e ao risco a que elas estão relacionadas.

Isso quer dizer que quanto maior for o prazo e o risco de determinada operação financeira, maior é a taxa de juros.

Dito isso, você provavelmente já percebeu o que isso implica, né?

Como a taxa SELIC possui o menor prazo (1 dia) e o menor risco (a garantia do governo federal) ela é a menor taxa da economia. Por isso, é chamada também de taxa básica de juros da economia.

2 — O investimento mais seguro do Brasil

Nesse momento, algumas pessoas ficam assustadas quando dizemos que a garantia do Governo Federal é o menor risco que podemos assumir. Afinal, com tantas coisas erradas que vemos na política, é normal ter esse tipo de pensamento.

Mas estamos aqui para falar de educação financeira e não de política.

Diante disso, vou te dar 3 motivos simples que farão você entender, de uma vez por todas, porque a garantia do Governo Federal é o risco mais baixo que podemos assumir.

  1. Ninguém além do Banco Central pode imprimir dinheiro.

O Brasil possui uma moeda própria, o Real. Sendo assim, caso o governo não consiga pagar suas dívidas, ele pode simplesmente imprimir mais dinheiro para quitá-las. É claro que isso tem consequências negativas, como o aumento da inflação, mas em casos extremos pode acontecer.

Nenhuma empresa, banco ou pessoa tem este poder.

2. É o governo quem dita as regras do país.

Se o governo estiver necessitando de dinheiro para pagar suas dívidas e não quiser imprimir dinheiro, ele pode aumentar sua arrecadação através de impostos.

Ou ainda, ele pode aumentar a taxa SELIC, fazendo com que os investimentos no país se tornem mais atrativos e ele consiga captar mais dinheiro.

3. O órgão máximo de um país é ele mesmo.

Imagine que o país venha à falência. A crise foi tão grande que o Brasil não conseguiu suportar e simplesmente quebrou.

Para isso acontecer, o país já tomou diversas medidas para tentar solucionar os problemas econômicos e contornar a crise. Como consequência, diversas pessoas, empresas, instituições e bancos foram afetadas com essas medidas e faliram.

Ou seja, elas quebraram antes do governo. Se você possuía investimentos em alguma dessas instituições, você perdeu seu dinheiro.

Por isso, os títulos públicos federais são os investimentos menos arriscados de um país. Inclusive, são mais seguros que a poupança!

(Se você possui investimentos na poupança, então você precisa ler isto!)

3 — Para que serve a taxa SELIC?

Quando você vê notícias sobre a taxa SELIC, como a que mencionamos no início deste artigo, o que está sendo exposto não é a taxa overnight e sim a meta SELIC.

(A partir de agora, sempre que mencionarmos "taxa SELIC" estaremos nos referindo à meta SELIC, assim como é feito usualmente por todos.)

Ela é divulgada na forma anualizada, por exemplo: 12% ao ano, e serve como parâmetro para todas as outras taxas praticadas no mercado.

É através dela que os bancos e instituições definem a remuneração de algumas aplicações, bem como as taxas para empréstimos e financiamentos.

Essa taxa é definida pelo Banco Central como ferramenta para guiar a economia do país, como veremos a seguir.

4 — Qual é o papel do Banco Central nessa história?

O Banco Central do Brasil (também chamado de BC ou Bacen) tem a função de inserir ou retirar moeda do mercado, controlar a quantidade de moeda estrangeira em circulação e regular a taxa de juros, entre outras atribuições.

Vamos focar na regulação da taxa de juros.

Como dito anteriormente, é o Banco Central quem define a taxa Selic, por meio do Comitê de Política Monetária (COPOM), podendo aumentá-la, reduzi-la ou mante-la estável.

Comitê de Política Monetária (COPOM)

O COPOM é um órgão do Bacen criado justamente para realizar as funções que mencionamos. Ele é equivalente ao Federal Open Market Committee dos EUA, ao Zentralbankrat da Alemanha e ao Monetary Policy Committee da Inglaterra.

A cada 45 dias o COPOM se reúne para definir qual será a nova taxa Selic. Nessas reuniões são discutidos o que pode influenciar a economia do país, como câmbio, inflação, economia internacional, entre outros.

A partir disso, o comitê discute os cenários possíveis e votam na nova meta Selic. A decisão final é comunicada à imprensa, assim como o viés (se a tendência, nas próximas reuniões é que ela se mantenha, suba ou desça).

As atas das reuniões são divulgadas no dia seguinte, com informações mais detalhadas e podem ser acessadas pelo site do BCB.

Agora que você já sabe quase tudo sobre a SELIC e seu papel na economia, vamos à parte mais importante deste artigo: como a taxa SELIC afeta a sua vida e porque você precisa ficar ligado.

5 — Como a taxa SELIC afeta a sua vida

Enquanto escrevo este artigo, está passando no noticiário que 60 milhões de brasileiros não pagam suas dívidas em dia.

Este é um dos motivos que nos fez criar este blog. Levar educação financeira para o maior número de pessoas possível, para que elas possam ter controle sobre suas finanças, ao invés de se tornarem escravas do dinheiro.

E esse fato está diretamente ligado com a taxa Selic.

Por ser a taxa básica de juros da economia, a Selic influencia a inflação, o câmbio, o consumo, a bolsa de valores, a renda fixa, a poupança e até mesmo o seu emprego!

A Selic e a inflação

A taxa Selic é um importante instrumento usado para controlar a inflação. Quando ela está alta, isso significa que os juros cobrados nos empréstimos e financiamentos também ficam mais altos.

Isso reduz a inflação por dois motivos:

  1. As pessoas evitam as situações que mencionamos (o financiamento de um carro, por exemplo) para não pagar juros altos e acabarem comprometendo sua saúde financeira.
  2. Os investimentos em renda fixa ficam mais atrativos, já que se baseiam na Selic. Com isso, as pessoas preferem investir o dinheiro que recebem do que gastá-lo, adiando o consumo ou até mesmo evitando.

Por outro lado, quando a taxa está baixa, tomar dinheiro emprestado ou fazer financiamentos fica mais barato, já que os juros cobrados ficam menores.

O que ocorre nesse caso é um aumento da inflação, pois as pessoas preferem gastar ao invés de investir, aumentando o consumo.

A Selic e o consumo

Da mesma forma que acontece com a inflação, o consumo também é influenciado. Como a alta da Selic aumenta os juros cobrados no cheque especial e pelos cartões de crédito, fica mais caro comprar de forma parcelada ou utilizar aquele "extra" que o banco te oferece, no final do mês.

Assim, uma taxa Selic alta desestimula o consumo, reduzindo a venda de mercadorias e serviços. Para contornar essa redução e evitar que os produtos encalhem nas prateleiras, as empresas reduzem o preço, diminuindo a inflação.

Já no cenário de uma taxa Selic baixa, o consumo é estimulado, conforme mencionamos no tópico anterior. Isso traz o efeito inverso ao de uma taxa alta: as empresas podem aumentar o preço de seus produtos, já que a procura por eles aumentou, o que eleva a inflação.

A Selic e a Bolsa de Valores

Um cenário econômico com a taxa Selic alta não é favorável para a Bolsa de Valores. Isso ocorre porque com a queda no consumo, cai também a produção e o lucro das empresas que possuem ações na Bolsa.

Além disso, muitos investidores preferem fazer aplicações financeiras em investimentos de renda fixa, deixando de investir em ações onde o risco é maior.

Na outra ponta, uma taxa baixa estimula o investimento na Bolsa, uma vez que os investimentos em renda fixa ficam menos atrativos, fazendo muitos investidores migrarem para a renda variável.

A Selic e o câmbio

A Selic também ajuda a controlar a entrada de investimentos estrangeiros no Brasil.

Quando a Selic está muito alta, o valor do dólar tende a diminuir no país, valorizando o Real. Isso se dá, pois muitos investidores externos fazem aplicações de renda fixa no Brasil. Afinal, nosso país possui uma das mais altas taxas de juros do mundo.

Nossa taxa é a 17a mais alta do mundo, atualmente. Caso consideremos apenas os países com um grau de segurança razoável (superior ao Brasil), é a segunda maior taxa de juros do mundo!

Entrando e circulando mais dólares na economia brasileira, ele se desvaloriza, enquanto o real ganha força.

A situação inversa ocorre quando a Selic está baixa, desvalorizando o Real e diminuindo o investimento estrangeiro no país.

A Selic e a Renda Fixa

É a partir da taxa Selic que os bancos definem a remuneração de alguns investimentos feitos pelas pessoas.

O impacto imediato acontece no título indexado a ela, o Tesouro SELIC ou LFT.

Esse investimento do Tesouro Direto remunera exatamente o valor da Selic. Dessa forma, um aumento da taxa aumenta a rentabilidade, enquanto uma diminuição resulta na redução da mesma.

Grande parte dos investimentos em renda fixa estão relacionados ao CDI.

Em geral, CDI e SELIC são muito próximos.

Acontece que ao invés de usar títulos públicos como garantia, os bancos podem usar seu próprio título baseado na sua solidez, chamado de Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

Nesse caso, a taxa de juros utilizada é o CDI. Portanto, CDI e Selic são proporcionais, ou seja, caminham juntos.

A Selic e a poupança

O rendimento da poupança depende diretamente do valor da taxa Selic do período:

  • Se a taxa SELIC é maior que 8,5% ao ano, a poupança terá rendimento de 0,5% ao mês + a TR (taxa referencial — usada para influenciar o rendimento da poupança e os juros finais de alguns contratos de empréstimos)
  • Se for menor ou igual a 8,5%, a poupança terá um rendimento equivalente a 70% da taxa SELIC

A Selic e o seu emprego/estágio

Se você leu até aqui, é muito provável que você queira saber como a taxa Selic influencia seu emprego ou estágio. Afinal, isso afeta diretamente o seu salário e pode te dar muita dor de cabeça.

Assim como você pode ver a notícia sobre o aumento ou redução da taxa Selic, você também pode acompanhar empresas realizando demissões em massa e dando férias temporárias aos funcionários.

É muito comum isso acontecer em alguns setores da economia, como no automotivo, demonstrando que o mercado está desaquecido por conta do baixo consumo.

Com o aumento da taxa Selic o consumo diminui e as empresas passam a vender menos, fazendo com que não seja necessário manter a produção de produtos no mesmo ritmo.

Além disso, com o número de vendas baixo, existe uma necessidade cada vez menor de funcionários trabalhando nas linhas de produção ou na venda direta com o cliente.

Na perspectiva do empregado, isso pode fazer com que você acabe sendo demitido, perdendo sua principal fonte de renda. Outro ponto negativo é que com o mercado desaquecido fica difícil conseguir outro emprego.

Isso acontece também no ponto de vista do estagiário: fica difícil conseguir um estágio com o mercado em contração. Ainda, com empregados sendo demitidos, estagiários passam a assumir as funções deles, aumentando a responsabilidade e tendo que trabalhar mais.

É por isso que você precisa aprender a investir e começar a depender cada vez menos do seu trabalho. Dessa forma, você não fica refém do cenário econômico e passa a controlar a sua vida financeira.

Para fazer isso é muito simples. Basta se inscrever na nossa newsletter para receber nossos conteúdos exclusivos e acompanhar o blog. E o melhor: é de graça!