O Cientista Social e seu mérito na sociedade

(Foto: Florestan Fernandes)

No último dia 22 de julho, celebrou-se a data nacional do Cientista Social. Instituído em 2001, o dia 22 de julho foi escolhido por culminar com o nascimento de Florestan Fernandes, grande e notório sociólogo brasileiro, que sempre focou suas atenções a superação das desigualdades sociais, e que deu vastas contribuições essenciais para o estudo da Sociologia – disciplina por onde se tornou mestre, na octogenária Escola Livre de Sociologia e Política em São Paulo.

Em um breve apanhado histórico, as Ciências Sociais surgiram em território europeu em meados do século 19, em busca das respostas às inquietações da humanidade. É válido destacar o positivista Auguste Comte, pioneiro a quem se atribui o nobre título de “pai da Sociologia”.

No Brasil, além de Florestan, deve-se o destaque a outras grandes figuras que compartilham desta formação sociológica, como o pernambucano Gilberto Freyre, grande ensaísta brasileiro, que através de sua obra mais popular, Casa Grande & Senzala (1933), se propôs a dar ênfase a formação sociocultural do país; o ativista social Betinho Souza, que lutou contra os flagelos da fome e da pobreza; e o ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso, que foi aluno e docente da Universidade de São Paulo.

Acredito de forma plena que o cientista social é um grande funcionário da sociedade. Proposto e preparado a compreender mudanças e observá-las a partir do campo teórico, o sociólogo, por se assim dizer, tem voz altiva e bastante contributiva nas concepções e análises importantes das mais diversas questões, quer sejam estas políticas, culturais e até de cunho social.

Em Pernambuco, contamos com o ensino público das Ciências Sociais na Universidade de Pernambuco, e em duas das três Universidades Federais: a de Pernambuco e a “Rural”, esta última, assim chamada afetivamente por seus alunos e funcionários.

No Brasil de 2016, que infelizmente engloba grandes crises éticas, econômicas, políticas; neste país em que o extremismo político – que não é saudável, figura como identidade de diversos grupos, o cientista social aparece como uma das peças chaves para a dissolução de alguns destes empasses. Émile Durkheim, sociólogo francês, criou o conceito de anomia para explicar quando algo na sociedade não anda funcionando bem, ou em desarmonia. E pensando bem, nosso país atravessa uma fase anomica. Casos de intolerância nos mais diversos segmentos, além de todas as outras problemáticas já descritas, se aliam com a falta de harmonia proposta por Durkheim.

No tocante ao cientista social, sua formação contribui no auxílio a modelação de um mundo melhor. Através da educação e do conhecimento adquirido nas academias, usa e oferece o pensamento crítico como crivo para análises momentâneas e posteriores. Em um país com gritantes diferenças sociais, o trabalho do cientista social deve ser elevado aos altos postos, e valorizado de forma única, como esforços na contribuição de uma sociedade mais justa, igualitária e humana.