“Não sou pago pra fazer isso!”

Essa frase é muito comum e muito provavelmente todos nós já a utilizamos alguma vez nada vida. Segue uma lógica de que não há necessidade de fazermos aquilo que não fomos contratados para fazer, ou seja, não faz parte do acordo. Porém se seguirmos fielmente essa lógica em nossas vidas, entraremos em disputa com nossos contratantes, pois diante da ótica deles a análise é “ele não faz isso pra mim, portanto pra que vou pagá-lo por isso?”.

É interessante como há uma versão disso para tudo em nossa vida. Podemos pegar por exemplo um relacionamento amoroso. Se um dos parceiros fica aguardando uma cumplicidade do outro e até que isso não seja observado não o faz também, ficaremos para sempre nessa disputa para ver quem dá o braço a torcer primeiro. Podemos retornar ao mundo corporativo pra entender que “dar o braço a torcer” pode ser o que precisamos para evoluir profissionalmente. Por experiência própria: de forma involuntária e até mesmo despretensiosa – pois não tinha claro o objetivo de crescimento – acabei por sempre assumir mais responsabilidades do que o escopo inicial do acordo. Hoje considero que isso foi fantástico, pois me permitiu um crescimento rápido e concreto! Um dia um chefe meu, que por sinal era muito mal educado e não tinha nenhuma característica de liderança, me falou uma frase que marcou minha vida: “se você pensar apenas em dinheiro você nunca vai ficar rico, Lucas.”. É claro que ele me falou isso quando eu, que era contratado como jovem aprendiz na empresa, pedi um aumento por ter assumido funções da minha chefe à época (que simplesmente parou de ir ao trabalho) e ele não quis me dar. Entretanto há muita verdade nessa frase. O que pode ser absorvido dessa experiência é que enquanto você ficar focado apenas em dinheiro, em quanto dinheiro isso ou aquilo dá ou mesmo querendo apenas atuar dentro do seu escopo por não ser remunerado por isso, você ficará estagnado. Você vai, de fato, ganhar apenas pelo que faz! Até aprender essa lição. Portanto, apesar de que o financeiro é um ponto que não pode ser esquecido, parece que mantê-lo em segundo plano pode ser mais eficiente, principalmente em início de carreira. Bom, o que posso garantir é que pra mim não foi ruim. Aos 24 anos cheguei a assumir uma função de destaque dentro da empresa, tendo a opinião não só respeitada, mas procurada pela maioria.

Concluo essa reflexão dizendo que aquela história que parecia conversa fiada do patrão de que “dinheiro não é tudo” já não me parece errada. Existe limite para tudo, claro que não podemos pra sempre ser quem dá o braço a torcer. Entretanto é necessário entender que nem sempre o aumento de trabalho será antecipadamente ou mesmo imediatamente recompensado e isso não está completamente errado. Há pelos menos duas óticas:

  • 1) meu chefe está aproveitando de mim;
  • 2) estou aproveitando da empresa e da oportunidade para adquirir novas capacidades e melhorar como profissional, tendo mérito para ser melhor recompensado.

Busque responsabilidades, traga inovações, faça a diferença!