O fim de ano e a felicidade

Olá!
Criei uma conta na Medium ontem e ainda não sei bem como usa esse lugar aparentemente mágico, mas já vou arriscar meu primeiro textinho. Espero que saia bom! Na minha mente é um tema legal, mas não sei como sairá.

Gosto normalmente de ir ao trabalho lendo um bom livro ou ouvindo uma boa música, às vezes consigo os dois ao mesmo tempo, mas geralmente um transpõe o outro na minha mente e eu fico ou mais focado no livro ou mais focado na música, sou incapaz de um meio termo. Esses dias, indo para o trabalho aconteceu algo nada atípico durante meus dias: minha mente parou, não consegui ler, não consegui ouvir músicas, apenas refleti e tive delírios sobre a vida, sobre política, sobre amor, sobre meu almoço.

Em uma dessas pirações que eu chamo de conversas comigo mesmo eu fiz uma auto-análise, percebi que, como vem sendo na maioria dos anos, o meu final de ano vem sendo emocionalmente estável e bom, sem motivos aparentes. Outubro veio como um trem descarrilado de felicidade e satisfação.
Geralmente meus anos são divididos assim: Os primeiros três meses eu passo por um turbilhão de sentimentos, ora me sinto feliz, ora me sinto muito triste, ora me sinto meio bleh e dessa forma se arrasta o primeiro trimestre do meu ano. Não consigo definir um padrão sentimental, é uma explosão de bipolaridade. 
De Abril até Setembro (sim, bastante tempo) os meus dias são quase sempre reservados à melancolia, são meses cinzas, nem sempre ruins em completude, mas cinzas. São meses em que eu me entrego à isso, pode ser a ansiedade de terminar tudo que eu preciso terminar para faculdade ou no trabalho, pode ser o medo de não saber o que o resto do ano me reservará, pode ser paranoia da minha cabeça, pode ser aquele álbum do Copeland que eu sempre insisto em ouvir, pode ser aquele filme triste que eu sempre insisto em assistir, ou pode ser tudo isso junto. É, é tudo isso junto. 
São meses escuros? São, mas acima de tudo são meses em que abro um espaço reflexivo muito bom, defino rumos, ou apenas planejo rumos, ou cogito planejar rumos, mas sempre coloco em xeque se tudo o que eu faço ou pretendo fazer realmente me completa. 
Foi num desses meses cinzas que tomei coragem e larguei um curso que eu não gostava e não me sentia completo. Agradava muito meus pais, é verdade, mas eu não gostava. Fui forte, larguei e tracei um novo rumo, mudei minha carreira da água pro vinho. 
É, na verdade nesse caso do vinho pra água, um economista ganha bem melhor que um professor de história. Coisas da vida.

Já os meus últimos três meses, ahhhh, como são meses maravilhosos dentro da minha caxola. É incrível, chega outubro, chega o verão (fora de época, mas no Brasil é comum) e eu me sinto bem. As aspirações para o ano novo tomam minha cabeça, eu sou incapaz de focar em outra coisa nesses meses finais do ano se não o quão bem sairei da fossa no ano que está por vir. Dificilmente acontece, entra ano e sai ano e as coisas mudam, é verdade, mas nunca como eu planejo de verdade ou como ambiciono de verdade. E não, eu não acredito que é só fazermos que teremos resultado, me desculpem.

Nessas reflexões de trem eu percebi que o passar dos anos não te reservam boas coisas simplesmente por ser uma virada de ano. Se tirarmos o efeito mágico e religioso das viradas de ano perceberemos que não são nada além de mais um mês que passou e as coisas continuarão a tomar seu rumo natural, sem a interferência ‘divina’ de todas as viradas. Os meses passarão e por eles passarem que nos formaremos, terminaremos aquela série, ganharemos um aumento provindo de experiência, engordaremos e emagreceremos, terminaremos namoros e começaremos namoros. São processos cíclicos que o tempo proporciona como um todo. É com o passar do tempo que essas coisas acontecem, nem sempre como planejamos, mas acontecem porquê é o tempo e somente o tempo que nos dá calos, que nos ensina e altera nossas convicções, nossas ambições e nossa alma.

Mas mesmo sabendo de tudo isso é impossível perder a magia que os fins de ano proporcionam e como as ambições nos deixam belos e de olhos brilhantes. É incrível como três meses de um ano deixam muitas pessoas alegres, unidas e acima de tudo esperançosas.

Nesse quesito eu assumo que a emoção é melhor que a razão. 
Devemos nos permitir sonhar, sentir e viver.

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