Por que Empatia virou um megatrend das competências nas organizações/empresas?

Olá!

Eu já ouvi por muitas vezes que sou um psicólogo doido e isso sempre me fez rir muito (…sim, eu tenho CRP ativo).

Quando eu quis ser psicólogo, eu tinha 16 anos e eu já tinha um computador, isso em 1996. Quando entrei na faculdade, eu estudei muito o comportamento, mas sempre, aqueles mediados pelas telas, pelos dispositivos móveis, pelo Facebook, Snapchat e Instagram. Sim, eu estudei Skinner, Freud, Lacan, Pichon Riviere, Bion e o adorável, inteligente, singelo e doce Aaron Temkin Beck (psicologia cognitiva). Uma vez, um professor de psicanálise me deu quase ZERO num trabalho porque eu analisei o smartphone na perspectiva de algo fálico (…e olha que foi Lacan que falou dos gadgets, eu não entendi pq tirei zero…rs)

Casos de depressão, dismorfia, obesidade e autoextermínio estão sendo cada vez mais associados a superexposição às mídias digitais e não digitais, isto conforme pesquisas feitas nestas linhas pós anos 90. Antes da televisão, as pessoas adoeciam por causa de bactérias e coisas do tipo.

Hoje também, as pesquisas que envolvem a construção da identidade, já identificam sites de relacionamento ou mídias sociais — como o Facebook -, sendo constitutivos na formação da identidade dos indivíduos. Um Avatar pode não ser uma simples brincadeira. Caso queira saber mais, leia sobre “desejabilidade social”.

Os estudos sobre identidade apresentam-na como parte importante da construção do self e claro, como parte daquilo que nos diferencia — o eu e o não eu — e é justamente a identidade, aquilo que nos separa, que individualiza, que me revela. (por isso eu nunca acreditei em alma gêmea)

Essa distinção que a identidade provoca e a percepção da diferença é que gera a Empatia.

Empatia. Vamos à etimologia da palavra? 
Aqui: En + (grego) páthos + ia. Grego EMPATHEIA.

Viu, tem um páthos aí, tem uma paixão. E não vai pensando que palavras são jogadas ao vento como numa melodia da cantora mais famosa do Brasil (2015) e que elas não impactam diretamente os nossos comportamentos. Lacan mesmo já dizia que somos sujeitos do significante, da palavra.

Então, aqui minhas perguntas!

Por que Empatia virou um megatrend das competências dentro das organizações/empresas? Como reivindicar empatia, de uma geração que conhece menos o próximo e se relaciona mais com o distante? Por que o estagiário vintão é um desafio para o gestor “cinquentão”?

E aqui, minha hipótese!

Porque nenhuma geração esteve cem por cento pronta para lidar com a diferença. Nos dias atuais isto está ficando muito claro. Um indivíduo empático sabe perceber e numa economia da distração, a percepção quase não funciona mais no nosso cérebro.

E aqui, o dilema!

Num mundo de relações cada vez mais mediados por telas, em que o próximo cada vez fica mais distante e o distante cada vez mais próximo, nós vamos precisar compreender as limitações de duas gerações completamente distintas. Uma é a geração que tem necessidade de pouco contato físico. A outra é a geração que sempre exigiu muito contato físico — principalmente os 40´s, 50´s, 60´s que experimentaram 2 guerras mundiais, estiveram nus na revolução hippie, dançaram a Tropicália e viram nascer a televisão. 
(Aguarde, eu vou escrever sobre privacidade….rs)

E aqui, um caminho!

Há um caminho para as organizações: o BLENDED. Derrubem algumas das paredes, criem ambientes sagrados (em que tecnologias não entram), onde as pessoas possam olhar olho no olho, permitam a experiência solitária — como um estudo, leitura ou soneca por exemplo — e coletiva, cortem as dinâmicas de grupo de superexposição ou que usam teorias caducas de uma psicologia experimental mais preparada para lidar com ratos que com humanos, estabeleçam regras e principalmente, DEIXEM AS PESSOAS SE MISTURAREM.

O mundo precisa de redes e não de hierarquias

Abs.
Lucas Parisi
lucasparisi arroba outlook.com

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Fonte: Identity construction on Facebook: Digital empowerment in anchored relationships CONFIRA AQUI