GLOBALISMO COMO IDEOLOGIA

Antes o conceito de ideologia pela Ciência Política:
Uma ideologia é um conjunto mais ou menos coerente de ideias que lança bases para a ação política organizada, tanto com intenção de preservar, quanto de modificar ou depor o sistema de poder vigente. Todas as ideologias, portanto, oferecem uma descrição detalhada e crítica sobre a ordem vigente , geralmente na forma de uma ‘visão de mundo’, um modelo de um futuro desejado, uma visão da ‘boa sociedade’, e explica como as mudanças políticas e sociais podem e devem mudar as coisas para que este modelo seja praticado, ou como ir de a até b.

Com este conceito simples em mente passemos ao fenômeno da Globalização.

A Globalização antes de ser entendida, ela mesma, como ideologia, pode ser apresentada como a maior ameaça a todas as ideologias. Este fenômeno tem impactado diversas ideologias tradicionais, principalmente o socialismo, o nacionalismo e os fundamentalismos religiosos, mas ela tem uma grande gama de implicações para a ideologia (conceito) como um todo. Um dos aspectos chave da Globalização e’o crescimento das relações ‘supraterritoriais’ entre as pessoas: as barreiras da geografia física são irrelevantes na medida de a complexa rede de interconectividade aumenta e em consequencia dá-se cada vez menos importância as fronteiras. Isto fica mais evidente quando observamos os novos padrões das atividades econômicas e de comercio, bem como o advento das novas formas de tecnologias de informação e comunicação, criando, por consequência, o ‘ciberespaço’. Ao invés de vivermos em comunidades geográficas restritas, caracterizadas pelo limitado alcance das relações pessoais, sociais e de trabalho, nós temos que viver num mundo global no qual nossas vidas são cada vez mais moldadas pelos eventos que acontecem, e pelas decisões que são tomadas, a uma grande distancia de nós. Tais desenvolvimentos impõe um grande problema para as ideologias. É muito importante ressaltar que a interconectividade global tem aumentado muito a tendência de risco, incertezas e instabilidades, significando que as certezas concretas podem de um momento para outro ‘desmanchar no ar’. Sob essa luz, as ideologias parecem pertencer a um tempo mais simples e primitivo, um tempo no qual era possível pensar em soluções coerentes para problemas bem definidos.

Não obstante, é difícil caracterizar a Globalização como ideologicamente neutra. Há duas versões de globalismo. o primeiro é o globalismo neoliberal, que está ligado a expansão das estrutura e valores das economias com base no mercado. Desta perspectiva, a essência da globalização é a construção de uma economia capitalista global, que estaria interessado em aumentar o poder de empresas e investidores transnacionais e reduzir substancialmente o poder dos estados nacionais, principalmente em sua habilidade de transformar as estruturas sociais. A Globalização, assim, é o mecanismo final que o ‘fim da história’, no sentido de triunfalismo do liberalismo, traz à tona. A segunda versão do globalismo é a do ‘Estado de Segurança’. Este tipo é um produto genuinamente norte-americano. A assim chamada. ‘guerra ao terror’ é uma ‘guerra sem fronteiras’ pois seus inimigos estão no nível sub-estado que operam em organizações transnacionais. O globalismo de Estado de Segurança tem sido visto tanto como uma defesa na batalha pelos valores da democracia liberal e ideias humanitários e como uma tentativa dos Estados Unidos a se consolidar de uma vez por todas como a única superpotência a estabelecer sua hegemonia global.

No fim da história, mesmo o Globalismo em seu ataque frontal ao conceito de ideologia pode ser considerada em si como ideológica, pois carrega em si valores que julga superiores a seus concorrentes, além é claro de prever seu próprio triunfo futuro. O mandato da história é chamado a validar todas as ideologias, sejam elas reformistas sociais, liberal-democrata, de democracia deliberativa, ou de capitalismo global, e ao mesmo tempo pode jogá-las no descrédito. Hoje quando declararmos o fim das ideologias e a prática de uma só delas ainda demonstramos que o debate ideológico está bem vivo e passa bem, e que a ideologia é um processo contínuo e interminável.

BIBLIOGRAFIA
Freedan, M., Reassessing Political Ideologies: The Durability of Dissent 
Gray, J., Endgames: Questions in Late Modern Political Thought
Scholte, J. A., Globalization: An Introduction
Shtromas, A. (ed.), The End of ‘isms’?: Reflections on the Fate of Ideological Politics after
Communism’s Collapse