Mary Wollstonecraft

Pensadores do Liberalismo Social

Mary Wollstonecraft (1759–1797)

Quando se iniciou a Revolução Francesa, todos falavam, em sentido literal, sobre os “Direitos do Homem” (este era, inclusivamente, o título do panfleto que Thomas Paine divulgou em 1791), o que, na altura, significava que as mulheres nem chegavam a ser mencionadas, nesse contexto. Apesar disso, sempre existiram vozes a favor dos direitos das mulheres, tendo sido publicado, em 1792, o livro que iniciou, verdadeiramente, um movimento liberal feminista na altura: “A Vindication of the Rights of Woman”. A sua autora foi Mary Wollstonecraft, que, antes dessa data, já tinha sido membro de vários círculos políticos radicais. A sua opinião era de que as mulheres se encontravam encurraladas sob um sistema opressivo e que apenas a educação e a abertura de horizontes as poderiam libertar. Como tal, exigiu a atribuição de direitos civis e políticos às mulheres, referindo que:

“As mulheres têm o direito a ter os seus representantes, em vez de serem governadas arbitrariamente, sem que sejam directamente tomadas em consideração nas deliberações do governo”.

A sua visão assentava num individualismo liberal, sendo o seu credo político a igualdade de direitos e a igualdade perante a lei. Apesar disto, não é claro que, hoje em dia, Mary estivesse em sintonia com algumas “marcas” modernas de feminismo, que se focalizam em determinadas ações afirmativas e na existência de quotas.

Mais tarde, Mary Wollstonecraft casou com o autor anarquista individualista William Godwin, isto apesar de, antes disso, ambos terem denunciado o casamento como uma instituição opressiva. A sua filha Mary veio a casar com o poeta Shelley, tornando-se famosa como autora de “Frankestein”.


Bibliografia

  • Carol H. Poston (Editor): A Vindication of the Rights of Woman: An Authoritative Text; Backgrounds; The Wollstonecraft Debate; Criticism (Norton Critical Editions), Cambridge 1998
  • Claire Tomalin: The Life and Death of Mary Wollstonecraft, New York 1975.