Sem tempo

Sempre com pressa, andando rápido entre as pessoas e desviando dos retardatários ele pensa: Por que tem tanta gente que anda como se estivesse passeando logo pela manhã? Uma pressa costumeira, um andar rápido com respiração curta e as pessoas à frente… Ah, as pessoas. Aquelas que não compartilham a matinal pressa não deveriam estar na rua e nem muito menos no metrô naquele momento.

Estação cheia. Cheia de pessoas com boas roupas escuras, cara de sono, feições apressadas. Mas como ele sabe tudo isso sobre a cara e as feições das pessoas se na lotação do vagão todos evitam se olhar? Neste caso a fuga do incômodo olhar do outro apressado é a música, o rádio, para os mais espaçosos que abrem clareiras na multidão, livros. Ah, os livros, objetos cada vez mais raros em ambientes apertados e saculejantes.

Passa uma estação, duas e na terceira o condutor diz que o trem vai diminuir o passo, porque alguma coisa aconteceu com algum trem em algum lugar que não tem nada com você, mas mesmo assim ainda vai te atrasar e, o que é pior, aumentar esta sensação coletiva de pressa.

Chega onde deve, anda até o escritório. Anda não, quase corre. Passa o dia correndo, ocupado ou não, come apressado, vai ao toalete apressado e até o momento sagrado da refeição se passa entre garfadas rápidas, conversas entrecortadas, olhares frenéticos na tela do celular e ligeiras risadas.

Acabou-se o dia, que passou tão rápido como a sombra de uma árvore que não se percebe passar. Volta apressado para casa, não por que falta tempo, mas por costume, por segurança; pois quem anda devagar tem mais chances de ser roubado.

Vive rápido como os ratinhos de laboratório e essa velocidade resolve alguma coisa? Adianta alguma coisa? Parece que não. Só aumenta a sensação da falta de tempo, de que o tempo se perdeu em algum momento da pressa.

Para completar ainda vem um filósofo de youtube dizer que o tempo é a única coisa que temos e não podemos recuperar.

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