Mãe Interrompida — Parte 1

Eram meados dos anos 1960 quando ela se apaixonou, no auge de sua juventude, com 17 anos. Conheceu um homem vindo de boa família do nordeste brasileiro. Gentil, charmoso e alguns anos mais velho que ela. Era no meio dos anos 1960 que a nordestina não estava pensando muito bem. E ela cometeu o maior erro de sua vida.

Meses depois a bela moça descobre uma gravidez repentina que viria mudar tudo o que havia sido construído até aquele momento. Ela não sabia o que fazer. Não podia contar à mãe ainda, ou uma grande tempestade sobreviria a ela. Não podia exigir nada do rapaz, que já havia a abandonado depois de “se divertir” o suficiente. Restou a ela apenas o consolo de sua irmã mais nova. Os meses passaram e apenas as duas sabiam. Mas uma gravidez não é fácil de esconder.

No segundo trimestre a rigorosa mãe da moça descobriu sua gravidez e o ultimato foi dado. A mãe estava indo embora para a cidade grande e a moça devia escolher: ou deixava a criança e seguia o caminho da mãe, ou ficava sozinha e criava o filho. Aborto não era alternativa. Nem se falava em aborto naquela casa.

A moça tinha uma difícil decisão a tomar, já que não seria fácil ser mãe solteira naquela época. Certamente não conseguiria emprego e acabaria na rua com o filho. Mas era uma criança e não podia ser abandonada. A mãe deu até o fim da gravidez para a decisão ser tomada. Mas, é claro, a mãe já tinha tomado a sua. Carregaria todos os seus filhos na viagem e a criança bastarda não iria com eles.

O conflito na cabeça da moça só aumentava e ela estava prestes a desistir de tudo. Mas ela, antes de desistir, perguntou à mãe se tinha um plano. É claro que ela tinha. A criança ficaria com uma família que era amiga deles e seria bem cuidada. Os pais adotivos se comprometeriam a nunca esconder da criança a verdade. Ela sempre saberia que fora adotada.

A moça respirou fundo e decidiu seguir as decisões da mãe. Assim que a criança nasceu, a moça nem deu nome para não se apegar, seguiu com sua irmã mais nova até a casa da família amiga para entregar a criança. Naquela época os partos eram feitos em casa e tudo aconteceu muito rápido. A criança não havia tomado sua primeira mamada e chorava sem parar. Por todo caminho as duas irmãs ouviam o choro e se continham para não fazer o mesmo. Era só silêncio.

Ao chegar na grande fazenda, a moça pediu apenas que pudesse acalmar a criança antes de partir. Deu de mamar ao menino e foi embora, deixando metade de si naquele lugar. E ela nunca mais seria a mesma.