Um estranho no ninho.

Novo comandante rubro-negro, tem pela frente desafios fora e dentro das quatro linhas.

Reinaldo Rueda é o novo técnico do Flamengo. Dono de uma carreira consolidada, com trabalhos por seleções e pelo Nacional de Medellín ( jamais vou me acostumar com Atlético Nacional), o colombiano de 60 anos desembarca para comandar o clube de maior torcida do Brasil.

A troca de comando no meio da temporada nos aponta para duas situações: já estragamos a temporada atual, Rueda chega para tentar salvá-la, ainda que não tenha obrigação alguma. E a outra, é comprovação da primeira, já estamos pensando no ano que vem, mesmo estando em Agosto.

Diante do mercado brasileiro de técnicos de futebol, a torcida rubro-negra não precisou pensar muito para constatar que estávamos diante de um deserto de opções. Rueda ganhou força mesmo que boa parte da torcida soubesse muito pouco sobre o treinador. Parece um mérito do técnico estrangeiro ou uma deficiência dos treinadores brasileiros? Fato é que hoje não existe um treinador brasileiro em atividade na Série A que empolgue qualquer torcida, ainda que muitos façam grandes trabalhos.

Criticado por seu desempenho em solo brasileiro, Borja viveu seu melhor momento comandado por Rueda.

Nos últimos anos, sempre que um clube brasileiro belisca um gringo para capitanear sua equipe, aparece uma certa indisposição em setores da imprensa. É difícil dizer qual essa motivação, acredito em um misto de ignorãncia, uma falsa sensação de superioridade e desprezo ao outro. Para muitos, e eles gostam de repetir isso, técnico estrangeiro não dá certo. Antes de qualquer coisa, não existe isso de técnico estrangeiro, existe técnico. Me pergunto se em Manchester alguém questiona Guardiola por ele não ser inglês. Jogadores então, se só pudessem atuar em seus países, seria curioso. Alguém imagina Lionel Messi jogando pelo Argentinos Juniors? Cristiano Ronaldo no Sporting ou Braga? Para os medíocres, seria mais seguro que se fechassem as fronteiras.

Sem contar que é preciso discutir o que é ‘’dar certo’’, em uma lógica de futebol em que treinadores quase não possuem tempo para treinar, e os que completam um ano a frente de um clube, se tornam dignos de nota. Para se ater a um exemplo recente, o técnico Diego Aguirre, teve passagem interessante pelo futebol brasileiro. Em 2015, com uma equipe com muitos jovens, o técnico uruguaio levou o Internacional as semi-finais da Copa Libertadores, vendendo muito caro a eliminação por um gol, contra a milionária equipe mexicana do Tigres. No jogo seguinte a sua demissão, o Inter perdeu o Grenal por 5x0, e no ano seguinte, com muitos jogadores desse mesmo time, o clube foi rebaixado para a Série B. Também em 2016, levaria o Atlético MG até as quartas na Libertadores. Isso sem contar o fato que, o uruguaio pela quarta vez seguida chega nas quartas de final do torneio mais importante do continente.

Se Rueda for como Aguirre, espero que ele não dê certo no Flamengo. Gostaria de falar sobre a maneira como nosso novo técnico vem buscando se qualificar, se preparar e a maneira como seus times jogam, mas tudo isso fica em segundo plano com a declaração desastrosa de um ‘’colega de profissão’’ que o colombiano enfrentará, tudo indica, em sua estréia.

A vitória de Rueda em terras tupiniquins seria excelente para evitar a aparição de antigos espantalhos. Como brasileiro, é triste e vergonhoso perceber que alguns discursos se reforçam na sociedade ainda, como rubro-negro, resta torcer.

Saudações Rubro-Negras!