Dólmã I

Lucas Pinto
Sep 5, 2018 · 5 min read

Pra quem olha a primeira vez, Paulo parece ser a pessoa mais easygoing do mundo, com esse jeito tranquilão, mas se você resolver se apegar ao alagoano como eu acabei fazendo, muito provavelmente vai perder a paciência com a lentidão do rapaz. Mas como nesse grande RPG que é a vida, Paulo compensa os pontos que faltam em destreza social com sorte. A primeira prova do capítulo de 5/9 de 2018, consistia em cozinhar pratos mexicanos para mais de 300 pessoas que acabaram de assistir/participar de um jogo de basquete. A capitã da primeira equipe foi Manoela, personagem pelo qual não tenho afeto nenhum. Mas por uma jogada de sorte, o outro capitão não podia ser outro que não Paulo, que despretensiosamente acertou uma cesta de basquete em meio a dezenas de erros. E logo de primeira ele deu de cara com a obrigação de fazer as coisas iguais pra ambos os times, abrindo mão de um de seus cozinheiros. Simpático que só ele pode, desistiu de um dos melhores cozinheiros pro outro time, pelo justo fato de ele ter sido o último a se decidir, o que já criou uma racha entre Paulo e Daniel.


Com times formados, a prova começa. Resumindo duas horas e meia em poucas palavras, é muito difícil direcionar uma equipe onde os cozinheiros acabaram de se conhecer, principalmente se te falta pulso firme como faltou a Paulo. A cozinha de Manoela desde o início pareceu super organizada, focada, com várias escolhas para uma refeição completa: entrada, prato principal e sobremesa, enquanto do lado amarelo, a cozinha de Paulo esteve focada em agradar a todos e experimentar na mistura de texturas, tudo isso num único prato: Tacos com frango frito, o que é relativamente fácil de fazer, se não considerar a dificuldade de servi-lo pra 350 pessoas. Do lado vermelho, tudo corre no limite do bem, pois existe uma dúvida muito forte se vai ter material suficiente pro prato principal pensado pelo time de Manoela, enquanto no de Paulo, o embate constante entre ele e Daniel quase confunde o time, sem saber quem está liderando; mas um problema acaba por atrasar os planos do time amarelo: As tortilhas, primordiais pros tacos, não estão conseguindo chegar no ponto e precisam ser recomeçadas, enquanto o tempo e o jogo de basquete estão correndo.


“Você sabe o que acontece quando você frita frango? Merda”. Daniel começa essa seção do programa reclamando do prato, da forma de fazer, simplesmente com vontade de jogar tudo pro alto e desistir da prova. Não teria condições de fazer um taco com frango frito SEM O TACO. Enquanto do lado vermelho eles tentam de tudo pra aproveitar ao máximo dos pratos pra poder servi-los a 350 pessoas, Paulo simplesmente TRAVA do outro lado, tentando descobrir o que o prato dele sem a tortilha tinha virado, e acaba dando mais razão às reclamações de Daniel. Falta menos de uma hora pra começarem a servir os pratos e Fogaça pergunta “vocês não tão fazendo tacos, querem enganar os clientes?” e Paulo rindo diz que já até havia se esquecido de mudar a placa que indicava o prato. “Vai ser uma salada com frango frito e… A gente troca na hora”. A confiança do time amarelo vai voltando aos poucos, enquanto a do time vermelho começa a se abalar por medo de não conseguir servir comida suficiente pra todo mundo.


Enquanto o Pernil com Gorditas do time vermelho já corria a todo vapor, o time amarelo ainda se enrolava na hora de empratar sua Salada Mexicana com Frango, acompanhada de Guacamole, creme azedo e a tão problemática Tortilha. Alguns tinham acompanhamento, alguns não tinham, e isso começou a preocupar o time Amarelo até o fatídico momento: Acabou a Salada. Não tem como servir uma Salada Mexicana sem salada, então eles foram improvisando e improvisando até não sobrar mais nada, faltando servir ainda umas 40 pessoas.

“Se fosse no meu restaurante, eu não me perdoaria. Eu ia estar ali tirando dinheiro do meu bolso pra cada pessoa que tivesse passando: ‘Desculpa, desculpa!” — Paulo.

Do lado vermelho tudo parecia correr bem, moral lá em cima, mas o que eles não sabiam eram às críticas à gordita, muito massuda e pouco saborosa, que no caso representaria o prato principal da refeição. Na hora do resultado: o público votou anonimamente colocando-se atrás de cada equipe e pra surpresa de todos, um jogador de basquete enterrou a bola na frente da equipe menos esperada: a Amarela. Imagino o peso que deve ter desabado de cima dos ombros de Paulo. Nesse grande RPG da vida, a Sorte realmente teve um toque maior na decisão.


Acima de tudo, é um Reality Show, então pessoas precisam perder para que pessoas possam ganhar, como infelizmente a sociedade funciona. Por ter trabalhado tão bem, a Equipe Vermelha de Manoela teve a chance de salvar 2 concorrentes, que usou pra salvar André e a ela mesma. Mas como não existe boa ação sem punição, Paulo, do time ganhador, teve de escolher duas pessoas de seu time para fazerem a prova de eliminação. Paulo escolhe Daniel e Willian, confiando na força deles pra suportarem o desafio, mas quase imediatamente desatando a chorar por não aguentar a pressão de ter que fazer seus amigos passarem pelo desafio. A prova é doce, italiano pra ser mais preciso, com direito à atuação de Jacquin da cena icônica do poderoso chefão: “Leave the gun, take the cannoli”, mas no caso não só um, e sim 15 cannoli, formando uma torre do doce. Mas o observado dessa prova não vai ser Daniel, que não tinha ideia de como fazer um cannolo ou de Willian que pareceu meio perdido na hora de bater a massa, mas sim no Outro André.

O Outro André, que não foi salvo por Manoela, tem maior parte da carreira em restaurantes italianos, o que nos leva a pensar que ele tiraria de letra fazer a sobremesa, e foi mais ou menos o que aconteceu. Tirando o fato de que ele estava acostumado a fazer a massa do canollo numa máquina, e quando foi fazer na mão, por último, e aí a experiência o falhou. Depois de entrar na competição por uma prova italiana, a própria culinária italiana estaria tirando sua chance de ser o novo Masterchef Profissional.

“Isso é massa de pastel. Um pouco seca.” — Henrique Fogaça.

No fim, André precisou pegar sua arma, deixar seus cannoli, e deixar sua dólmã. Ainda o espero na repescagem, é um cozinheiro orgulhoso, mas de mão cheia. Vamos ver o que tem vindo nas próximas terças.

Lucas Pinto

Written by

Redator em Revista Sketchline.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade