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A perspectiva planetária (e porque nada faz sentido)

Já parou pra pensar no que vão ser os teus boletos e relatórios daqui a um bilhão de anos?


Esse texto é pra ser lido ouvindo o som abaixo:


Esses dias, entre organizar o lançamento de um site e fazer um vídeo, me peguei lendo uma matéria que dizia “o que vai acontecer quando o sol explodir?”. Notem que a matéria diz quando e não se, porque é inevitável: daqui há alguns bilhões de anos, o nosso sol vai expandir, esfriar, se transformar em uma anã branca, as órbitas dos planetas da nossa galáxia vão mudar completamente e mais um monte de perrengues que a gente nem de longe tem como reagir.

Esse processo já aconteceu com galáxias antes e vai continuar acontecendo. É o ciclo da vida se repetindo em escala planetária. Tudo bem que, quando a terra tomar esse penal, a vida humana já vai ter deixado de existir faz tempo, mas isso não muda o fato desolador e a realidade que eu encarei naquele momento: nada do que a gente faz importa.

Vocês tão ligados que nada se destrói e que tudo se transforma, né? Partindo desse ponto de vista, a gente também pode deduzir que nada é novo, tudo é uma soma de algo que já foi. Nós somos matéria e, enquanto matéria, somos eternos. Nosso ciclo de consciência começa e acaba, mas nossa abrangência física acaba ecoando pra sempre. Se toda matéria sempre existiu e só está em constante transformação, então eu sou um pouco de todos aqueles que já passaram por esse planeta e por esse universo. Eu tenho em mim um pouco de toda a existência assim como toda a existência me tem. E é impossível ser indiferente à esse sentimento de pertencimento. É impossível ignorar como somos comuns, por sermos parte de tudo, mas ao mesmo tempo como é raro que um amontoado de matéria tenha se acumulado e formado justamente eu e você, com toda a nossa complexidade, questões e dramas. A raridade da vida está justamente no quanto ela é banal.

Talvez, a única forma que a gente tenha encontrado de enfrentar essa realidade assoladora da nossa não importância é a vida em sociedade, todas essas metas, regras e costumes que criamos para gerar um sentimento de controle, de que a gente toma as rédeas de alguma coisa. Mas a grande verdade é que não, nada do que a gente fizer vai mudar o fato (e a beleza) de que somos finitos. Eu, você e o universo.

Então, cara, não te preocupa se as coisas parecem meio fora de controle. Acontece que elas realmente estão. Mentiram e mentem pra gente que tudo isso importa: grana, trabalho, emprego, fila do banco, o cinema é mais barato na terça, meu nome tá no Serasa, quer casar comigo? Isso é só o ser humano sendo humano. A gente precisa sentir que manda, que importa. Temos cachorros e gatos pra isso. Mas a gente é quase nada, e é isso que faz com que nós todos sejamos um tudo só.

E, se eu sou tudo, eu também sou você, assim como você é eu. Somos todos a mesma coisa. Somos todos matéria. Somos todos universo.

"Somos todos estrelas com nome de gente" — Nikita Gill