Os discos que eu mais ouvi em 2015 de acordo com o meu Last.fm (sim, eu ainda uso isso)

Em algum ano entre 2004 e 2006, a moda entre os jovens (leia-se aqui “meus amigos e conhecidos”) era o Last.fm, um site/aplicativo que acompanhava o histórico de músicas que tu ouvia e gerava um perfil disso. A maior emoção era entrar no perfil de alguém e ler que “O seu grau de compatibilidade com fulano é SUPER”. Era uma coisa bem moderna pra época, porque o processo era automático. O app do last.fm ficava ligado em segundo plano enquanto fazia o scrobble das músicas que a gente ia ouvindo.

Confesso que me senti bem idiota escrevendo esse primeiro parágrafo, porque pode parecer muito redundante explicar o que é o last.fm. Mas, lembrem-se, estamos em 2015 e já fazem uns dez anos que o site/app foi febre por aqui. Hoje em dia, só alguns usuários mais assíduos seguem com suas contas ativas. Eu sou um deles. E, na iminência de um novo ano, é sempre legal dar uma olhada no que a gente mais ouviu nesse ano que passou.

Eu queria fazer um texto sobre os discos que mais escutei nesse ano. Ia usar a medida inexata de importância mental que a gente dá pra cada disco, mas daí resolvi conferir se isso batia com os scrobbles do last.fm e, pra minha surpresa, não batiam. Então, vou fazer um top 10 dos discos que eu mais ouvi em 2015 de acordo com o meu last.fm:

10: Blink-182 / Enema Of The State (39 scrobbles):

A lista começa com um clichê do pop punk. E não tinha como ser diferente. Eu não imagino nenhuma lista de top alguma coisa da minha vida relacionada a música que não inclua pelo menos uma menção ao Blink. Não é a minha banda preferida, mas é uma das que atravessou os anos comigo e que moldou o cara que eu sou hoje. E nada melhor do que o Enema pra começar essa lista. Lançado em 1999, é o terceiro albúm de estúdio deles, o primeiro com o Travis na bateria. E é o primeiro a alcançar um sucesso comercial ridiculamente gigante pra uma banda de punk rock. Sabe aquelas músicas que tu que não gosta tanto de blink conhece? Então, elas provavelmente são desse disco. “What’s my age again”, “All the small things” e “Adam’s song” são os singles, mas a que eu mais ouvi foi “Dysentery Gary”, com 11 plays.

09: The World Is a Beautiful Place & I Am No Longer Afraid to Die / Between Bodies (43 scrobbles):

Taí um disco que eu não esperava ver nessa lista. O The World Is… é uma banda do movimento que a galera tá chamando de “emo revival”, e eles tem uma sonoridade bem difícil de agradar às grandes massas. Bem o oposto do disco anterior da lista. Esse disco em específico tem a particularidade de a banda ter convidado um artista de spoken word (é um cara que faz poemas e declama, mais ou menos. Não é uma coisa muito comum no Brasil) pra fazer colaboração. E é o disco mais legal. Muito reflexivo, te faz entrar em paranóias existênciais enormes, e todas as letras falam sobre a vida, a morte, o existir e coisas assim. Muito legal pra quem curte os trabalhos do Carl Sagan. O EP foi lançado em 2014 e as faixas que eu mais ouvi foram Thanks e Autosonsorialist, cada uma com 8 plays.

08: Twenty One Pilots / Vessel (43 scrobbles):

Estava eu assistindo o VMA quando, de repente, vejo dois caras fazendo um som muito maluco com o A$AP Rocky. Demorei menos de 2 minutos pra varrer a internet e descobrir tudo sobre o Twenty One Pilots, minha banda favorita de 2015. Esse disco ia entrar no primeiro lugar dessa lista disparado se eu fizesse só de cabeça, mas, como a lista é pelos scrobbles do last.fm, ele ficou só em oitavo. É, de longe, a banda que menos se encaixa no meu “perfil musical”, mas acho que isso acontece justamente porque ela não se encaixa em nenhum perfil musical. Eles fazem hip hop, reggae, rock, música eletrônica, isso tudo em uma música só, antes de chegar no refrão. A banda vem ganhando uma notoriedade enorme e os shows deles são super lotados, só conferir no youtube. Esse disco é de 2013, e também é um disco com letras inteligentes. A diferença é que eles conseguem fazer um som pop, muito comercial, mas que te faz pensar na vida ao mesmo tempo. É o tipo de música que tem a chance de agradar todo mundo. A minha preferida (e mais tocada) do disco é Car Radio, com 14 plays (mas aproveita e dá uma conferida em “Kitchen Sink” deles também, do disco anterior, “Regional At Best”).

07: Blink-182 / Take Off Your Pants And Jacket (44 scrobbles):

Se a música do blink que tu pensou não era do Enema, ela certamente é desse disco aqui. Quase todas as músicas desse disco fizeram um certo sucesso comercial e consolidaram o Blink-182 como uma das maiores bandas do mundo (eles eram na época, acreditem). Eu não vou me alongar muito porque, como eu disse antes, blink é um clichê e todo mundo já sabe tudo sobre eles. A música que eu mais ouvi foi “Give Me One Good Reason”, com 11 plays.

06: Say Anything / …Is a Real Boy (53 scrobbles):

Essa é uma daquelas bandas que eu fui conhecer anos depois da hora certa. Por mais que tenha tudo a ver com a cena musical na qual eu me situava em 2005/2006, eu fui conhecer de verdade a banda só em 2014, e só porque “Alive with the Glory of Love”, o principal single do disco, tocava em um final de temporada do seriado “Scrubs”. Nessa época, o vocalista e compositor da banda, Max Bemis, passava por um caminhão de problemas psicológicos e com drogas, e toda essa desconformidade fica clara nas músicas do disco. É um dos clássicos do pop punk e é artigo obrigatório da coleção de todo mundo. A mais tocada foi a “Alive with the Glory of Love”, com 19 plays, mas fica uma menção honrosa também pra “Admit It!!!”, outra das minhas favoritas, com 15 plays.

05: The Wonder Years / The Greatest Generation (58 scrobbles):

Por mais que eles tenham lançado um disco novo (e que eu gosto até mais) em 2015, o que entrou na lista foi esse. Eu lembro de estar desesperançoso com as novas bandas de punk rock e gêneros associados, até que conheci esse movimento de bandas encabeçadas pelo Wonder Years. E esse disco é de uma qualidade absurda. Por uma época, foi o disco oficial do meu caminho até o trabalho. O legal do Wonder Years é que eles combinam muito bem o lado pop e o lado punk do termo “Pop Punk”, e acabam entregando a maior qualidade musical dessa cena. A música que eu mais ouvi foi “Passing Through a Screen Door”, com 16 plays (seguida por “Cardinals”, do disco novo, com 15 plays. Ouve esse também que vale a pena :D).

04: Blink-182 / Blink-182 (61 scrobbles):

A música com mais plays (15) foi “Stockholm Syndrome”. E eu nem vou me alongar muito nesse disco porque…

03: Blink-182 / Greatest Hits (65 scrobbles)

…o próximo disco é do Blink também. Aí entra também um pouco de falha no sistema do last.fm, porque, como esse disco é uma coletânea, muitas músicas que eu ouvi dele são, na verdade, de outros discos. “Josie”, a mais ouvida (8 plays), é um exemplo disso. Porém, uma das minhas músicas favoritas do “novo blink” é desse disco. “Not Now”, e ela ficou em segundo, com 7 plays.

02: Real Friends / Maybe This Place Is the Same and We’re Just Changing (66 scrobbles)

Esse disco foi lançado em 2014, e também é uma das melhores surpresas das novas bandas de pop punk. Enquanto eu escutava Wonder Years para ir para o trabalho, esse era o disco que eu ouvia na volta pra casa. Eles tem uma pegada menos agressiva e mais juvenil que o Wonder Years, além de serem caras mais novos, falando sobre coisas de gente mais nova. Mas segue sendo um som muito fácil de se apegar. Foi a minha banda favorita do ano em vários momentos. A música que eu mais ouvi não é nenhum dos singles, mas eu acho que é uma das melhores músicas que eu já ouvi: “…And We’re Just Changing”, que fecha o disco, com 13 plays. Ela fala sobre mudar, sobre tentar se sentir em casa estando em outros lugares e, bem, faz muito sentido pra um cara que largou tudo pra atravessar os EUA (eu, no caso).

01: Into It. Over It. / 52 Weeks (84 scrobbles)

Outro acidente de percurso. E no primeiro lugar. Não me entendam errado, o disco é ótimo, mas ele só está em primeiro lugar por um motivo: o disco tem 52 músicas. Ou seja, se eu ouvi ele 84 vezes, quer dizer que nem deu pra ouvir o disco inteiro duas vezes. O nome, “52 weeks”, vem justamente da proposta do disco. Durante um ano inteiro (que tem 52 semanas, pra quem não sabe), o compositor Evan Thomas Weiss, que, nessa época, tocava sozinho sob a alcunha de Into It. Over It., lançou uma música por semana, que foram compiladas depois nessa coletânea. É um disco muito bom, ainda mais levando em conta a proposta conceitual da coisa e que a banda é um dos expoentes do movimento do “Emo Revival”, mas, se eu fizesse a lista de cabeça, não ficaria nem em décimo lugar. A vida não é justa, amigos.

Compartilha também com as pessoas que tu conhece (e comigo) quais foram os discos que tu mais ouviu nesse ano que tá acabando. É uma coisa legal de fazer, te faz refletir sobre muitos aspectos do teu ano e ainda faz com que as pessoas te conheçam um pouco melhor :D

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