quando a realidade curou meu ceticismo.

na segunda a realidade veio
começou a bater na minha janela
abri e perguntei qual era o seu anseio
maravilhada, recitou versos sobre ela
só sobre ela.

me senti nas nuvens,
assim como toda vez que a tenho por perto.
a realidade, apaixonada, me convenceu
de que tudo aquilo que sinto era o certo.
a desistência se esvaneceu.
me preenchera de esperança.
curou meu ceticismo.
me senti como criança
quando idealizava os suprassumos
os meus auges
os meus ápices.
num lapso de saudade,
daquilo que acabara que nascer
e não está perto de morrer,
idealizei
no sonho, te amei
te beijei e te abracei
e recitei
o maior poemas de todos
“eu te amo, meu bem”.
mas a realidade bastou
esse sentimento de plena serenidade.

porém a realidade me fez jurar
pra que eu deixasse de pensar
que sou incapaz de amar
alguém que não seja como ela,
como bárbara.
e foi-se embora
mas deixou um bilhete
dizendo pra esperar
me dizendo pra esse amor eu dissipar
em outros amores, se for preciso
mas para que eu nunca deixe
que aquele amor por ela,
por bárbara,
feneça.

não deixarei que feneça, cara realidade
esperarei distraído
vivendo
amando
escrevendo
cantando.
não importa.
sinto que há amor ali pra florescer
nem que seja à tarde, à noite, ou ao amanhecer.
mas não sofrerei mais ao esperar.
paciente, aguardarei-a
e amarei-a.
mesmo que eu a transcenda, realidade.