Sobre controle de autoqualidade e a palavra genial

Lucas Schutz
Jul 25, 2017 · 2 min read

Algo me assombra no nefasto mundo da publicidade.

Este algo é a incrível capacidade de todo e qualquer indivíduo ser agraciado com o selo de qualidade ‘genial’.

É extremamente estranho que ainda hoje, com todo acesso a informação e blá blá blá, a gente continue considerando quase toda e qualquer coisa como uma coisa ‘genial’. O termo perdeu o sentido, assim como boa parte dos melhores profissionais perdeu a vontade de trabalhar nas agências que se agraciam com ele constantemente.

E junto a essa coisa de tudo ser genial vem a dificuldade absurda de sabermos quando algo está realmente bom. Costumo perguntar em entrevistas — quem leu até aqui deve estar pensando “porra, ele deve fazer entrevistas pra caralho! Todo dia! Toda hora! Toda semana!”, mas não. Nas poucas, não sei se boas, entrevistas que fiz nos últimos anos perguntei prxs candidatxs como elxs analisavam o próprio trabalho pra saber se tinha chego a hora da entrega. Como que ele percebia o próprio trabalho, no sentido de ter concluído o que foi solicitado e se aquele já era o momento de dar o trabalho por encerrado. Ninguém sabe responder essa pergunta.

Mais uma vez:

ninguém

sabe

responder.

Quem tem um pouco mais de noção vai apelar pra um termo brasilogringo e falar que é no “feeling”.

Realmente tem que ser assim? Como que um publicitário pode saber que o próprio trabalho está bom o suficiente pra ir pra rua? Só na experiência? Se for assim, como que jovens profissionais produzem coisas extremamente maneiras por aí?

Como usar a autocrítica pra falar, e analisar, nosso trabalho e o dos outros e admitir quando fomos superados? Considerando que tudo caminha para uma dinâmica esforço vs. resultado, trabalho bom não deveria ser o que foi aprovado? O que vende? O que o cliente gosta? O que os clientes do cliente gosta? O que ganhou a concorrência?

Trabalho bom que não vende, não rende, ou não é aprovado é como time de futebol que joga bonito e perde todas as partidas. Do que adianta? No final das contas o técnico cai.

Agora, saber a hora de parar de futucar — que palavra genial! HA — a mente e saber a hora de entregar o trabalho é complicado. Acho que, na maior parte das agências, a métrica vai ser sempre o prazo. Mas e no resto? Como você identifica que chegou a hora de passar o bastão e deixar o fluxo correr?

    Lucas Schutz

    Written by

    Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
    Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
    Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade