a quem disse que não há guarda-chuva

Franciacorta, Italy. Foto de Carol Vaisz

a quem disse que não há guarda-chuva

para quem todos os dias parecem iguais
que são aqueles que na janela só existe verão
ou vivem dos momentos que virão
preciso contar
ontem morri por um dia, baby,
descobri que não há liberdade na solidão
e que é preciso abraçar o diverso
como os inesperados e infinitos rumos futuros

(porque, talvez, um abraço seja a melhor maneira de
estar aqui e agora, não além).

desci até a praia ontem, enquanto morria,
esperando respirar o ar do mar, e a chuva
quebrar ciclos de ansiedade que vem como ondas
incontestáveis e impiedosas gotas frias, corpo adentro
mas nelas só encontrei cores magníficas, mar afora,
que até então não estavam ali.
e o sol, aquela influência silenciosa que espia detrás do céu.
ninguém notou, acho, nem parecem notar, nunca
que as estações mudam nas janelas
e embora não dependam do que a gente quer

você só precisa abri-las, sem medo do que vai encontrar.
hard sometimes? give some time.
tempo. você tem, à disposição, eu tenho.
o tempo é minha casa
minha casa é onde quero estar, aqui e agora.

deixa estar, então. já disse o poeta a outro poeta:
 — não há guarda-chuva contra o tempo,
não há guarda-chuva contra o amor
entre outras coisas.