fechar espelhos

sobre a garganta se afoga a soberba
de quem procura na literatura as máximas
se somos todos feitos de coisas mínimas
se viemos dos formatos mínimos
com o mínimo no corpo
e o movimento contínuo

a tarde cai
sobre o vermelho
a tarde cai
fechando espelhos
e a vida vai
fazendo das janelas aquarelas
entre o trem e o cais
entre a paz e o caos

no fim das contas
tem sofrimentos
que a gente atura
e o que não cura
vira literatura

a tarde cai
sobre o vermelho
a tarde cai
fechando espelhos