mesa de vidro

menino mente aberta com os olhos sem alma
caminhando tão lento nas cidades que acordam quando fecha os olhos
ou são estrelas?
é difícil definir, além de toda a sujeira
o que está por trás das paredes imaginárias de seus óculos
ou porque acumula histórias sobre a mesa de vidro
querendo fazer com que gritem tão alto, bocas abertas, tendo dificuldade em respirar
e finalmente emudeçam
mas não convida ninguém a entrar
acho que eu sei, a poesia
expõe o eu-lírico usando pijamas
aos flashes de um tapete vermelho
e quando tudo não parece passar de um grande sonho
acorda às três da manhã
mostrando o pior de si e no exato momento em que ela se prepara pra ir
não deixa que a alma escape novamente
foi tão difícil segurá-la mais uma noite por aqui
e eu sei que nada mais importa
quando as lágrimas lavarem a mesa e sofá
vou secar as mãos em um pano de prato encardido
se ninguém mesmo veio e nem foi convidado
não vou precisar avisar que
o último a sair que apague a luz