nove minutos

parece que toda noite só durmo
os dois nove minutos
que tenho coragem de adiar
no alarme do celular
e o resto do tempo entre madrugada
e manhã
não servem pra nada
só pra rolar pra lá e pra cá
suando a camiseta nova do natal passado
bagunçando o lençol de elástico
levantando lento pra olhar no espelho
e ter medo de não me enxergar, mas umas árvores do outro lado
de ser uma janela
aqui dentro não é quente ou frio
não é vazio
debaixo das cobertas
eu mantenho aquecida a preguiça de ver o mundo lá fora
vai que eu goste
imagina
vai que eu goste.