o meu alguém

no fim, a gente espera a vida inteira
em uma fila gigantesca
agonizante
por alguém para curar tudo
que há de errado no lado de dentro. 
como se houvesse de fato algo de errado.
acredite — não há erro, só fatos 
ou escolhas.
que poderiam ter sido diferentes.
mas, olha, tá tudo bem,
somos nós todos diferentes
ainda bem também.
troca aí o que chama de doença 
pelo que chamo aqui de nuance.
presta atenção nesse pequeno detalhe:
você não precisa de uma cura,
nem de alguém que seja um
médico superpoderoso
você precisa é do inverso
alguém que não ligue 
pra pronomes, tratamentos
muito menos pronomes de tratamento
alguém que só seja, como você, 
paciente.