Viver desafinado
Me impressiona demais o quão pouco tempo dedicamos a exercitar a nossa perspectiva. Falo sobre dar um passo pra trás, respirar e olhar pra vida. A simplicidade de uma atitude assim a torna não óbvia, e existem 1007 coisas que por alguma razão sempre são mais importantes e até urgentes. Pra mim isso soa como um desalinhamento com a propria vida, e isso é viver desafinado.
A essa altura já assisti possivelmente centenas de palestras, videos e podcasts sobre meditação. É uma daquelas coisas que eu nunca me canso de me aprofundar. Num desses talks, vi um senhor descrevendo a prática da meditação de uma forma que desde então não esqueci mais. Sempre que penso em como explicar, essa analogia vem em mente.
Ele propoe algo mais ou menos assim: Mesmo o melhor dos músicos, dentre as melhores orquestras do mundo, seria incapaz de executar seu papel plenamente sem que antes o seu respectivo instrumento fosse afinado. Da mesmo forma, não pudemos esperar iniciar e viver um dia pleno se o nosso “instrumento” também nao for afinado. Logo, a meditação seria isso: uma ferramenta para afinar a nossa mente.
Quando paro pra refletir sobre isso, faz muito sentido. Quando não estamos centrados em uma perspectiva maior que nós mesmos, coisas minúsculas facilmente tomam conta de nós. A partir de um momento assim, interpretaçoes egoístas passam a dirigir nosso comportamento sem ao menos nos darmos conta disso. Ou seja, sem um “exercício de perspectiva” (como eu gosto de chamar), abrimos mão da nossa agência sobre o agora. Algo que poderia ser usado pra criar interaçoes lindas com o mundo, mas que deixamos escapar entre os dedos.
