NÃO SE FAZ HISTÓRIA COM VILÕES

(ou “nós somos os senhores de nós mesmos”)

O mundo tem pegado especialmente pesado com todos nós ultimamente, despindo escudos e expondo espinhos. A convivência passou a doer, uma vez caído o véu que nos dava a impressão de que éramos iguais. A conversa ficou séria, e as diferenças, cruciais. Desaprendemos a discordar e, desacostumados de deter o real conhecimento, de punhos cerrados, fingimos que dialogamos, mas com tampões nos ouvidos.

A ignorância tornou-se condição impossível, tamanho o bombardeio de informação que nos acomete diariamente. Saber que o cigarro mata, que o refrigerante faz mal e que o boi morre não sem antes oferecer uma luta sangrenta faz da alienação não uma condição, mas uma escolha deliberada. Em 2016, fazemos o que fazemos porque assim o queremos. Varremos para debaixo do tapete o que conseguimos, mas não por muito tempo. Se você não se sente minimamente culpado por nada, você está escolhendo ser um tremendo filho da puta, mesmo quando um mantra auto-incutido na sua mente sussura o contrário.

Em 2016, que não se premie a esperteza. Que não se aplauda nenhum tipo de violência. Não se justifique erro com erro. Não se torça contra somente para fazer valer um argumento. Não se decida o que é preconceito no lugar da vítima. Não se acredite que grandes corporações são sempre bem intencionadas. Não se paute uma opinião ouvindo apenas um lado da história. Não se vença discussão nenhuma no grito, pois não mudaremos o mundo pra melhor com vilões, mas com heróis.

E, na falta de heróis, quem sabe a gente abraça uma vez o protagonismo e taca fogo na fantasia de rebanho? Governemos a nós mesmos com retidão e verdade, amor sem medida pelo próximo e uma humildade inabalável. E sem tampões nos ouvidos.

O que é que você quer do mundo, e o que você pretende devolver?