Amiga aranha

No canto onde a parede que divide o meu quarto da cozinha, a parede que divide minha casa a da vizinha e o teto se encontram, vive minha amiga aranha.

Aquele pontinho preto na foto é uma aranha. Pode parecer pequena, mas não se engane. Tem a barriga grande e cheia por causa dos mosquitos que já deve ter comido por aqui. As pernas não finas como fios de cabelo, mas grandes e charmosas como uma modelo da Victoria Secrets com oito pernas.

Foto do meu quarto para ilustrar o próximo parágrafo.

Não sei como ela chegou aqui. Apareceu um dia em cima do guarda-roupa, se confundindo com a poeira que insiste em ficar ali. Meu guarda-roupa é alto, mas com um espaço de 50cm sobrando até o teto. Um pouco lugar para guardar tralhas e coisas que nunca vou usar de novo (tenho um Super Nintendo em algum lugar ali). Parece que a dona aranha gostou. Ficou ali alguns dias antes de ir para o cantinho atual. Quando acordo, é ela quem ganha meu primeiro bom dia.

A gente brinca bastante. Daqui da cama, pressiono meu pulmões e sopro com todas as minhas forças até ela se mexer. Ela dança um pouco e se ajeita de novo.

Nos tornamos amigos. Daqueles amigos que frequentam um a casa do outro. Que falam sobre seus problemas de forma descontraída mas que o outro sabe que é coisa séria e apenas responde com um “qualquer coisa tá ligado que é nóis, né?”. E a gente sabe que é. Que sempre será.

Mas um dia vou chegar em casa e minha mãe vai falar “matei uma aranha enorme no seu quarto”. E vou me dar conta de como era bobo achar que aquela amizade era para sempre.

E a gente segue do nosso jeito.
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