Inquietação, amiga de sempre

mergulho noturno.

Não seria presunção afirmar que tudo envolve o medo. Mas seria contraditório dizer que a maior habilidade que temos é a de adaptar-se?

Zona de conforto, e aversão ao novo que o retira dela. Santa inércia dos hereges, que rezam pela manutenção da estabilidade emocional, e lamentam cada episódio de desfunção relacional, sem nem conseguir ligar os pontos: Trata-se de um deficiente visual; por opção, não acidente ou infelicidade do destino.
 É o cego que enxerga, mas prefere ser um defeituoso funcional.

O medo impede a loucura, repensa o vacilo, evita a altura. Apreensão que livra-nos dos mais variados tipos de perigo, em processo químico-cognitivo, permitindo ao sujeito movimentos de auto-preservação.

O medo limita o possível, e deixa invisível a defesa de uma condenação. Fecha a porta, a janela, e suporta toda dor em isolar-se no fundo da própria alienação.

Permanecer confortável é sentir medo ao se permitir mudar, cair na tentação de consentir tentar aquilo que passeia pelo campo fértil do que só você sabe que é o melhor pra você. E se não for?! O medo lembra que remorso mata, e que por mais que você tivesse ido longe no pensamento dessa vez, ele mais uma vez refém te fez, trazendo gentilmente o sujeito pra o cativeiro que se escolheu estar.

Medo é o limiar entre por tudo a perder e salvar-se da realidade.

Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a mudança se estabelece.
(Freud)
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