O NAVIO DE GUERRA

Djalma Vassão/Gazeta Press

ROGER É UM NAVIO

Lembro da impulsividade do Renato, sobretudo em sua primeira passagem pela casamata gremista. Não gostava da atuação de algum jogador em suas duas primeiras participações no jogo: tchau. Substituía. Aos 15min do 1º tempo. Era até meio engraçado.

Renato era impulsivo em vários âmbitos. Das entrevistas aos treinos. Era coração, motivação, explosão. Desde os tempos de jogador. E pagava um preço por isso: o sujeito que costuma agir por impulso às vezes erra. Mas erra pelo excesso, nunca pela omissão.

Por outro lado, Renato parecia insuficiente taticamente. Não demonstrava muito interesse em estudar o futebol, se atualizar, treinar variações táticas, etc. O oposto de Roger, que é um discípulo do Tite. Muitos conceitos, estudos, teses. Toda essa bagagem teórica, aliada a uma disciplina exemplar, torna Roger Machado um dos nomes mais promissores do futebol brasileiro. Um jovem treinador com boas perspectivas.

Roger é um navio. Robusto, potente. Com potencial para ir longe. Renato era uma bela lancha: explosivo, ótimo para tiros curtos. E excelente para fazer uma farra (haha). A lancha é muito legal e até mesmo útil. Mas, sem dúvidas, o navio inspira mais confiança. Parece mais preparado para grandes jornadas.

Até surgir um iceberg…

Quando os problemas surgiam no caminho, a lancha do Renato desviava sem maiores percalços. Agilidade total. Desviava até demais e por vezes muito cedo, é verdade. Mas desviava. Reprogramava o trajeto como poucos. Até porque nem sempre tinha um trajeto bem estruturadinho e definido para seguir. Mas, definitivamente, desviar não era seu problema.

Já o navio do Roger… Poder de manobra é mínimo. O iceberg tá ali, tá todo mundo vendo, há horas. E mesmo assim nosso treinador muitas vezes raspa ou até se choca com a geleira. Demora. Se arrasta. Não enxerga.

Toma 954 gols de bola aérea e explica: “qualidade da bola aérea do adversário”. O iceberg tá ali. Todo mundo tá vendo. E o Roger não toma providências. Tipo ano passado quando perdemos quase 10 pontos por falhas do goleiro Tiago. Aquele que tava gordinho, lembra? Pois é. Roger confiava nele. Demorou para girar o leme. Quando girou, era tarde. Assim como pode ficar tarde se ele continuar deixando o Bressan jogar depois de 387 provas de que não serve. Ou se continuar escalando o Bobô para resolver nossos problemas — tirando o Luan da sua posição ideal.

Roger tem que ser menos refém das suas convicções. E ele tem várias, imutáveis. Não é só com potência que se vai longe nesse oceano futebolístico. Navegar é preciso, mas também é preciso reavaliar cenários a todo momento. É preciso ter agilidade, flexibilidade, jogo de cintura. Capacidade de mudar a rota com rapidez. Ou todo esse naviozão repleto de qualidades inegáveis pode, simplesmente, afundar.

Lucas Uebel / Grêmio FBPA

O DESAFIO DO GUERRA

Alberto Guerra precisa conversar com a Direção e entender: onde queremos chegar com esse navio? Títulos? Já em 2016? Ou acabar o ano simplesmente com dignidade para aliviar as finanças e projetar um futuro mais saudável e vencedor?

Primeiro: tenta desovar o Giuliano. Em qualquer cenário, se livra desse cara que nos suga 700k/mês e pouco acrescenta. Aí entende quais são as pretensões da Direção e, a partir disso, segue pelo caminho correspondente a essas metas. E, ainda que eu costume ser um entusiasta do “caminho do meio” defendido pelos budistas, do “nem 8, nem 80”, acho que nesse caso não tem meio termo. São dois caminhos bem antagônicos.

Queremos apenas um ano digno”. Sendo essa a resposta da Direção, dispensa mais uns 3 caras. Manda pro aeroporto na mesma van do Giuliano já, pra economizar combustível. E NÃO CONTRATA MAIS NINGUÉM. Sério. Esse time não é horrível. Não corre o menor risco de cair. Pela qualidade baixa desse Brasileirão (um dos mais acessíveis dos últimos tempos), somos bem capazes até de brigar pelo G4 com esse elenco. Mesmo com as 4 supostas vendas/dispensas (Giuliano + 3). Não precisa gastar mais UM REAL sequer para realizar um 2016 digno.

Queremos muito um título”. Se for essa a ambição da Direção ainda para 2016, contrata uns 3 ou 4 jogadores PICA DAS GALÁXIAS. Com personalidade vencedora. Com futebol diferenciado. Pra resolver algum setor. Pra não ser só mais um. Não adianta gastar com mais 5 Neguebas. Economiza esse dinheiro e traz um Guerrero. E segura o Luan na janela.

Nosso time é MUITO apático. Se desnorteia nas dificuldades. E o Roger não tem a fibra que falta no plantel. É muito sangue morno reunido. Muito dedinho pro céu e pouco dedinho em riste. E o elenco não é de uma qualidade ímpar, ainda que tenha alguma qualidade. Ou seja, falta um pouco de tudo. Só contratações FODAS mudariam esse quadro. Só gente que desembarque pra resolver. E não é 1 ou 2. São 3 ou 4. Caras pra mudar drasticamente a fotografia desse time. É isso ou… Esquece 2016. Economiza dinheiro evitando essas “contratações mais do mesmo” e faz um ano apenas digno.

Lucas von Silveira.