+ Conectados estamos cada vez menos conectados

Caminhando pelo aeroporto me deparo com esta cena:

Por alguma razão na hora me veio o pensamento: “Quem poderia ter projetado estas cadeiras? Que coisa horrível!

Reparem que o design foi elaborado de forma que cada pessoa fique de costas uma para a outra. Como que para evitar algum tipo de “contato”.

Para melhorar ainda mais, o projeto ainda levou em consideração uma importante necessidade: Tomadas!

Para garantir que você não fique desconectado (pelo menos com o mundo virtual) as cadeiras oferecem convenientemente tanto tomadas, quanto portas USB (caso você tenha esquecido o plug do carregador em casa)

— já pensamos em tudo meu caro, seu smartphone não vai ficar sem bateria!

Fiquei pensando em quão horrível tudo aquilo parecia para mim, as coisas pareciam projetadas para afastar qualquer contato humano ou social, permitindo que o usuário se concentre em seu mundo virtual.

Olhei ao redor e posso dizer que 90% das pessoas pareciam ter uma “torção” no pescoço inclinando suas cabeças para baixo com o olhar fixo em suas telas brilhantes, completamente alheias as pessoas a seu redor. (Não se enganem, adoro tecnologia e tenho quase tudo que se possa imaginar de dispositivos eletrônicos)

Na fila para o embarque uma agradável senhora que devia ter pelo menos uns 65–70 anos começou “do nada” a conversar comigo (como perfeito representante da geração Y, crescendo com smartphones, tablets, vídeo games, redes sociais) me senti incomodado e estranhei essa conversa espontânea sobre nossos políticos e o plano dela para matar cada um deles (em minha mente fiquei torcendo para não estarmos no mesmo voô).

Apesar do assunto um tanto quanto radical (rsrsrs ) depois percebi a diferença entre a minha geração e a dela — crescemos em um ambiente completamente diferente, com recursos e estímulos diferentes e ela tinha um “mindset” completamente diferente do meu. Para ela era natural puxar assunto com um estranho em uma fila e começar uma “agradável” conversa (este adjetivo vai depender de seu posicionamento político frente ao atual cenário em Brasília hahaha)para passar o tempo. Para mim é natural desbloquear meu iPhone e ver as minhas novas atualizações e curtidas no Facebook enquanto espero o tempo passar.

Naquele momento me deu um “click”

e percebi que EU tinha ajudado a projetar o design daquela cadeira! ☹️

Como economista sei que as indústrias trabalham para atender a demanda nos mercados, atuando de acordo com os desejos e preferências de seus consumidores (em poucas palavras se algo vende é porque alguém QUER comprar). Assim percebi que se tínhamos no aeroporto aquelas cadeiras que tanto me indignaram — parte da culpa era minha, elas foram projetadas para atender o comportamento e os anseios da minha geração!

Terminei esta conversa comigo mesmo, um pouco mais determinado a interagir mais com o mundo real em detrimento do virtual.

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Economista de formação, apaixonado por tecnologia, empreendedorismo e aprender coisas novas.

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