Chamas de uma Guerra: Guardiões da Galáxia

Em talvez seu projeto mais arriscado, a Marvel teve a ideia louca de fazer um filme com uma equipe desconhecida até para fãs de quadrinhos e entregou na mão de um diretor indie que tinha pouco nome em Hollywood. O resultado? “I AM GROOT!”

Guardiões da Galáxia é a história de Peter Quill, ladrão intergaláctico que foi sequestrado da Terra a muitos anos atrás após a morte de sua mãe com Câncer. Em sua busca por fortuna, ele acaba encontrando um tesouro procurado por um fanático da raça Kree, Ronan o Acusador. Ao tentar fugir de Ronan, Quill cruzará caminhos com Gamora, assassina e filha adotiva do Titã louco Thanos, Drax, um alien com sede de vingança por Ronan e incapaz de entender metáforas, Rocket Racoon, um guaxinim ciborgue, e Groot, uma planta humanóide que só diz “I am Groot”. Juntos, esses 5 desajustados terão que trabalhar juntos para salvar a galáxia… ou encher os bolsos de dinheiro.

O grande acerto de Guardiões é a apresentação de seus personagens. Apresentando um grupo de desajustados, sem se levar a sério, acaba fazendo com que o público aceite a existência de um guaxinim que fala como um gângster novaiorquino e seu companheiro árvore que só diz 3 palavras. E isso acaba fazendo com que na hora que há momentos mais sérios, o público se importe com essas criaturas que beirão ao ridículo.

Chris Pratt interpreta Peter Quill e a habilidade cômica do ator é perfeita para o papel, pegando bastante inspiração do Indiana Jones de Harrison Ford. Zoe Saldana interpreta Gamora e infelizmente sua personagem é a menos desenvolvida, servindo mais para apresentar o plano do vilão, mas mesmo assim Gamora tem seus momentos excepcionais. Drax é interpretado por Dave Batista e seu personagem é uma das grandes surpresas do filme, em especial a recorrente piada que a raça do personagem não entende metáforas. Mas os que roubam o filme são Rocket e Groot, interpretados por Bradley Cooper e Vin Diesel respectivamente. A maneira com que a dupla interage é ótima, misturando a sagacidade de Rocket com a inocência de Groot.

Outro ótimo aspecto do filme é a sua trilha sonora, composta de músicas dos anos 80, quando Quill foi raptado. Algumas escolhas em especial traduzem o senso de diversão que o filme quer passar, por exemplo na apresentação de Quill quando ele está em uma ruína em busca de artefatos e sai dançando ao som de “Come and get your love”.

Mas nem tudo é bem feito. Os vilões Ronan e a irmã de Gamora, Nebula, acabam sendo vilões clichês. Ronan é um fanático que quer destruir um planeta e Nebula quer matar a irmã para ganhar a preferência com seu pai Thanos. E esses personagens não evoluem além disso.

O elenco de apóio é ótimo. Yondu, alienígena que raptou Quill e figura paterna do personagem, é interpretado por Michael Rooker e ele interpreta muito bem o pirata espacial e o pai adotivo de Quill. Glen Close e John C Reiley interpretam os líderes da Tropa Nova e são ótimo contrapontos sérios para as ridicularidades dos Guardiões. Há também Benício Del Toro como O Colecionador, que está lá para apresentar o conceito de “Gemas do Infinito” e atuar de forma bem exagerada, o que condiz com o resto do filme.

A história central de Guardiões é até bem simples, mas ajuda a colocar o espectador nesse universo repleto de criaturas distintas. Mas isso também acaba prejudicando o filme, pois ao manter uma estrutura conhecida, a maioria da história acaba sendo fácil de prever.

James Gunn dirigiu esse filme e seu passado como diretor de filmes B e baixo orçamento não são perdidos em uma produção desse porte. O senso de diversão e a constante aceitação de conceitos ridículos acabam favorecendo a sua direção, mostrando humor e drama em boas doses.

Guardiões da Galáxia é um ótimo filme, repleto de piadas, um forte sendo de diversão e personagens memoráveis que fazem o filme ser fácil de gostar. Se não fosse por uma história previsível e um vilão mal desenvolvido, esse poderia ser o melhor filme da Marvel.