Música

por Lucca Cozzolino

Eu não entendia porque, mas tinha uma certa música do Nirvana que me lembrava você. De repente, notei que havia uma música do Louis Armstrong que também me lembrava de tudo. Quando vi, cada música me trazia sua lembrança como um sopro de vento em meio ao mar.

Cada álbum trazia seus olhos mais dentro dos meus. Cada nota ré me lembrava de suas pernas. Cada acorde transmitia o som da sua voz.

Cada beijo vinha como lembrança ao ouvir o soar do trompete. As arcadas do violino me davam arrepios como o toque dos seus cabelos no meu ombro ao beijar-te.

Sentia seu toque na voz de Sinatra. Seu abraço ao ouvir Mozart. Sua sensualidade ao som de Rolling Stones.

Você era Caetano, Gil e Chico dentro do meu peito. Era o Taj Mahal de Jorge Ben dentro do quarto. Contagiante, feliz, única.

Eu ouvi cada uma de suas lágrimas em uma música do Cartola. Cada um dos seus sorrisos vindos do violão de Adoniran. E cada grito em meio as discussões no meus discos do Pearl Jam.

Mas então você entrou em outra banda. Largou a orquestra. Mudou de gênero musical.

E como aquela última nota de Yesterday, você se foi.

Sem me dar a opção de Replay.

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