Carta a um psicólogo

Quem disse quem o mundo lá fora me espera?

O mundo vai girando e o sorriso de orelha a orelha vai diminuindo, vai se acabando, perdendo a essência, a tendência é essa. Se a tua ansiedade te mata hoje, futuramente serás mais do que morto. Um dia de cada vez, mas não… eu, pelo menos, prefiro ser egoísta e não ceder o meu tempo ao tempo. Isso me torna mais triste pra fazer as coisas que devo fazer no meu dia a dia… sim, a ansiedade mata!

Um sorriso de orelha a orelha sempre tem motivo, rir à toa é sinal de maluquice eterna, é algo que perde a razão por não ter razão, me explica você, por que diabos a tua ansiedade é tão plena e, mesmo assim, você continua sorrindo?

Diários e diários escritos, folhas de papel amassadas e um cenário clichê de solidão se torna cada vez mais vasto, é tudo dentro do meu quarto… quarto esse que sinto falta a cada segundo que passo fora dele, do primeiro ao último… e a ansiedade volta – por que você voltou? – me explica o que eu tenho a ver com esse troço, é uma pedra no caminho!

Eu olho pra trás, me torno ansioso pra olhar pra frente novamente. Quem sabe o amor da minha vida não chegará ali, na minha frente, logo depois de eu ter virado pra trás… não sei, o mundo está louco! Me resta acreditar que sou louco também (ou preciso ser, ou preciso tentar ser). Ansiedade, volta pra casa e me deixa aqui quieto, não me puxe pra rua mais uma noite, não me meta em brigas de novo, é muito ruim e me deprime, no dia seguinte você some e sobra tudo pra mim…

O sol nasce, o dia começa, o cenário já está montado, não precisa nem abrir a janela, quanto mais eu vejo o tempo passar lá fora, mais sinto essa presença. Preciso ter a certeza de que aqui é o meu lugar. Não quero mais sair. Eu quero ser alguém aqui, pra mim, quieto e sozinho.


Lucca Diniz, fev 15 2017 02:40

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