Anonimato e desconfiança na era digital

Sempre fui uma pessoa da internet. Fui nascido e criado assim. Sei o que digo quando afirmo que muito do conteúdo na internet — tanto no passado quanto hoje em dia — é desonesto, mentiroso, falso ou simplesmente burro, seja intencional ou acidentalmente, e é um crime com nós mesmos não carregarmos essa percepção em todo e qualquer momento que estejamos online.

Participei de muitos lugares antes das redes sociais realmente se consolidarem como uma força inescapável; diversos fóruns, chans, blogs etc. Peguei a internet bem quando ela tava engatando e ligando todas as pessoas a todo o tempo em todos os lugares. Vi muita coisa ruim que só percebi que era ruim bem depois. Fazem anos que eu trabalho muito a favor ao que eu me refiro como “não bater palma pra maluco”, e isso me fez pensar muito sobre o passado. Tempos de orkut, channers, fakes, trolls; tempos que, aqui no Brasil, marcaram a aceleração e generalização da informação e, posteriormente, do anonimato.

O anonimato na internet hoje é um fenômeno por si só, e um do qual pouco se fala, pois é extremamente ilusório. Uma analogia meia-boca seria que, assim como a observação dos átomos está para a Física, por conta do Zeno Effect, o anonimato está para a História: é impossível estudar o que está por trás de um anônimo sem fundamentalmente destruir seu anonimato. O anônimo é um ser histórico sem nome, sem idade, sem terra natal ou qualquer biografia, e pra ser entendido, precisa manter essa mesma posição. Aqui no Brasil, o anonimato se aplicou de algumas formas curiosas, e trouxe consequências que irão certamente reverberar no nosso cotidiano por um bom tempo.

Primeiro veio o orkut. O orkut, na sua era de ouro, tinha uma ferramenta que não foi replicada exatamente em nenhuma rede social posterior: o post anônimo. Você tava na sua conta, e pra comentar sem ninguém saber quem você era, bastava clicar um botão. Tinha tópicos onde só anônimos discutiam e você tinha que adivinhar quem era quem. Depois de um tempo deram umas rédeas mais fortes pras comunidades, e se você fosse moderador, poderia optar por não permitir posts anônimos em uma dada comunidade, e também cancelar isso do seu perfil pessoal. Nos lugares que eu frequentava, pelo menos, tinha um certo respeito pela regra: se você tinha um comentário que queria muito fazer em anônimo mas a comunidade não permitia, você simplesmente não fazia, pois era raro realmente dar a cara à tapa no meio de tanta gente conhecida e relativamente próxima. Onde era permitido, aí era terra de ninguém, seja pra bem ou pra mal. Não conheci muitos casos generalizados aonde o anonimato virtual trouxe muitos problemas nessa época, apesar que foi nessa mesma época do Orkut que surgiram grandes comunidades de “Caiu na rede”, a versão tupiniquim do revenge porn.

No pano de fundo, na gringa, existia um análogo de anonimato: o 4chan, um fórum de imagens em que, diferente do orkut, o anonimato era a regra ao invés da opção. Essa diferença fundamental criou um efeito comparativo muito engraçado, onde apesar do drama ser absurdamente mais abundante por conta do eterno anonimato (e de um grande volume de usuários), ele era semi-irrelevante. Tudo passava que nem água, também por conta do enorme fluxo de usuários e um formato de site onde os posts exibidos são limitados para não sobrecarregar servidores: mais ou menos, se havia 100 posts e mais um era feito, o post na 100ª colocação de atividade recente era jogado no limbo, funcionalmente deletado.

Entretanto, não dá pra dizer que era só palhaçada; a Encyclopedia Dramatica (às vezes quase impossível de ler por ser escrita 85% em memes velhos, o que criou quase que uma língua morta) guarda a maioria dos casos pouco-mais-do-que-semi relevantes que a internet — em geral o 4chan — produziu, pois existe gente desocupada o suficiente pra ficar catalogando drama virtual. Não são raros os casos que envolvem cyberbullying com finais de suicídio (coisa que virou um meme por si só), esquemas de assassinatos em massa (1, 2)e terrorismo, até coisas como a misteriosa revelação da localização de uma ossada de um assassinato nunca resolvido. O 4chan, aonde surgiram as muitas ramificações dos Anonymous, foi um grande berço pra experimentação do anonimato sem qualquer compasso moral, e continua do mesmo jeito.

Eventualmente o formato do 4chan veio pro brasil, primeiro no 55chan e depois no brchan (entre outros menores), e hoje em dia sei lá qual é o atual. Imageboards no exato mesmo formato mas com algumas regras ligeiramente diferentes, um público muito menor e onde só se falava português. As mesmas mecânicas sociais de anonimato continuaram, e se fundiram com o que se tinha no orkut. Mas além da diferença fundamental do anonimato ser a regra nos chans e a opção no orkut, o anônimo do chan também sempre foi muito mais agressivo. Pra mim a melhor definição é que foi muito mais animalesco — as regras sociais comuns iam pro ralo e se abraçavam tabus, desvios de comportamento, etiquetas, fetiches e discussões que jamais se veria numa mesa de bar, até mesmo uma mesa de bar com vários desajustados sociais. Sempre existiu um clima de eterna desconfiança do próximo, pois se você confiava demais, o mínimo era rirem de você por cair numa piada e você se sentir um idiota, e o máximo era você virar um alvo de centenas de anônimos te empurrando ao suicídio ou gente descobrindo seu endereço e te ameaçando de morte. Acreditar cegamente em um anônimo na internet, por lá, era o equivalente digital de enfiar seu braço num buraco desconhecido no meio da floresta.


Das mecânicas sociais, o anonimato foi uma das que sempre mais me intrigou. Ele é uma ferramenta que equaliza as pessoas ao extremo, pelo simples motivo de que é funcionalmente impossível você ter certeza de quem tá falando o quê. Torna todas as 1000 pessoas de um grupo de 1000 indivíduos com rostos únicos e nomes singulares em uma amálgama cinzenta sem qualquer definição, onde qualquer um pode ser qualquer um. João pode se transformar em Maria, e aí pode fingir que na verdade é Andressa, que então acusa Helena de se passar por João para incriminá-lo. Temos exemplos e anti-exemplos diversos na História; entre os exemplos, vemos isso desde a autoria anônima ou dúbia de textos importantes como a Epopéia de Gilgamesh, peças de Shakespeare, e até mesmo a própria Bíblia. Entre os anti-exemplos, temos diversas revelações de pseudônimos como os de Richard Bachman (na verdade Stephen King), as discussões geradas após a descoberta da identidade do Deep Throat do escândalo de Watergate, e a questão da perseguição de manifestantes não-anônimos em protestos — o uso de canhões de água com tinta para marcar protestantes, expulsões de alunos envolvidos em ocupações e resistências, etc.

Na sua essência, o anonimato real é o caos completo; e é a mecânica que mais marcou as relações na internet pra mim. Eu nunca entendi muito de programação, como informações ficam guardadas e se realmente existe algum lugar em que você possa simultaneamente estar conectado e ser de fato perfeitamente anônimo, sem poder ser rastreado ou reconhecido jamais. Seria uma ferramenta assustadoramente perigosa. É bem possível que isso não exista funcionalmente, mas, no cotidiano, o eterno momentum do humano do século 21 acaba criando situações de anonimato perfeito funcional. Digamos que, por exemplo, você descubra um boato no seu local de trabalho sobre como você já foi visto em uma convenção de anime usando um fursuit fetichista; e digamos que você fique muito nervoso com isso, brigue com muita gente, mas no fim nunca faça muito esforço pra saber quem iniciou o boato. Eventualmente, a pessoa que realmente falou primeiro fica escondida não por reais barreiras de códigos e números, mas por um white noise muito mais prevalente e maior, criado da mistura do esquecimento com causalidade histórica. Isso é caos; é a transformação de uma certeza em um número infinito de possibilidades indecifrável, aonde nenhuma resposta consegue ser, sem sombra de dúvidas, a real.


Com o que se viu quando, mais ou menos em 2007–8, o “trolling” virou um ato comum, essa aplicação do anonimato veio possivelmente pra causar muito mais mal do que bem. O “trolling”, ou “trollagem”, seria qualquer ato onde você intencionalmente tenta provocar uma pessoa. É a melhor definição que eu posso dar, pois na verdade é uma prática absurdamente abrangente — vai de fazer uma pessoa clicar em um link de youtube achando que é um documentário pra ser recebido por um RickRoll até fazer pessoas inutilizarem seus computadores por deletar a pasta system32. Deveria ser supostamente inofensivo, com uma divisão clara entre isso e cyberbullying, ameaças reais etc, mas ao longo do tempo e daquele white noise citado acima, a linha ficou muito borrada. Alguns casos mais famosos foram, por exemplo (como coisas que parecem mais paródias do século 21 que qualquer coisa), as hashtags #cutforbieber e #Boycottstarwarsvii. Ambas as hashtags surgiram pra causar uma terrível convulsão nas redes sociais, pra todo mundo reclamar em uníssono achando tudo um absurdo ou rir, e aí as pessoas que acharam um absurdo reclamaram de quem tava rindo ou não achando nada de mais, e aí todo mundo começou a brigar, e aí começou a sair notícia, virou internacional… sendo que no final era tudo falso. Trollagem.

O #cutforbieber foi uma hashtag falsa criada por alguns grupos no 4chan, fazendo perfis falsos no twitter e afins e usando a mesma pra indicar que eram fãs que iriam praticar automutilação por causa de alguma coisa que aconteceu com o Justin Bieber. Acho que ele foi preso ou banido de algum país, sei lá, não lembro. Ninguém pretendia se cortar, mas o mundo inteiro engoliu. O #Boycottstarwarsvii foi uma hashtag criada pra supostamente boicotar o novo filme de Star Wars por ser “racista com brancos” e “promover o genocídio branco”. Até onde eu sei, nesse caso a intenção era séria, afinal pra ser racista os Estados Unidos são um poço infindável de decepção; mas enquanto o movimento original deveria ter umas 10 pessoas, a resposta da internet fez parecer como se na verdade fosse um movimento de 10 MILHÕES de pessoas. Fica aqui um link pra um artigo muito bom, em inglês, que trata mais a fundo na perspectiva jornalística e semi-sociológica esse ponto exato da reverberação sobre invenções, o “fake outrage” e “reverse outrage”, e fala um pouco mais sobre alguns desses casos e o envolvimento da mídia nisso tudo.

Ambos os casos tiveram pontos bem diferentes: no cutforbieber, era tudo inicialmente falso, enquanto no boycottstarwars era uma intenção real. Mas a similaridade conecta bem com o ponto principal daqui: ambos são casos onde o CONTEÚDO pareceu algo muito mais sólido e gigantesco do que realmente era por conta da REVERBERAÇÃO. Foi como se a internet tivesse jogado uma bolinha de gude no oceano com tanta força que um movimento inicialmente irrelevante tornou-se um tsunami. E tudo isso foi causado pela força do anonimato; tornou-se impossível botar nomes tangíveis e/ou duradouros nos muitos rostos que se quis culpar pelas quase-crises causadas. No Brasil, alguns casos me chamaram mais a atenção por conta do efeito similar, mas em um campo muito mais específico e potencialmente danoso. Enquanto as hashtags falsas e semi-falsas deram muito o que falar, não mudaram muito a visão fundamental de mundo de ninguém.

A cabeça da trollagem e dos comportamentos anônimos nocivos já apareceu no Brasil diversas vezes, com hackers postando notícias falsas sobre o cancelamento do ENEM, sites nacionais tendo suas páginas principais desfiguradas, e até políticos com idéias extremamente retrógradas quase sendo eleitos por se utilizarem totalmente da linguagem e cultura channer. Daria pra citar que grande parte da fama do Bolsonaro é uma parte disso, mas isso fica pra um outro texto.

A idéia desse texto veio depois do último caso (era recente quando eu escrevi esse texto, mas aí eu fiquei com preguiça de postar e agora tá velho): a criação da página Feminismo Animal, que apareceu se apresentando como O Próximo Bastião Do Verdadeiro Feminismo, dizendo coisas absurdas como que você deveria ensinar seu cachorro a ser feminista. Não é a primeira vez que isso acontece — depois que anônimos conseguiram denunciar até deletar a página Feminismo Sem Demagogia, criaram outra por cima pra enganar as pessoas com posts progressivamente mais absurdos. Tudo isso vem como uma ponta de lança da fusão entre o anonimato globalizado, o poder da reverberação exagerada e o chorume de uma cultura antiquada de superioridade masculino-militar-branca-heterossexual, defendida com tantas unhas e dentes por alguns setores cada vez mais excluídos da sociedade que já apodreceu até o osso. A viralização também tem sua culpa nisso: uns meses atrás, um vídeo que era uma clara montagem duma festa com o André Marques de DJ (eu não vou linkar, você sabe do que eu tô falando) ficou em parte famoso por um monte de gente sem noção que achou que o áudio fosse todo original e ficou reclamando pra cacete disso.

Já faz tempo que os chans e as grandes centrais anônimas da internet (o reddit se inclui nisso, apesar de ter certas diferenças) lutam ferrenhamente contra o feminismo. E uma tática de enorme sucesso dessa luta foi a difamação, e ainda por cima uma difamação supostamente vinda de dentro. Nenhuma espionagem militar ou propaganda de guerra conseguiu isso! Foi o ato de não só pintar o inimigo como a pior coisa do mundo, mas, através da máscara do anonimato, fazer como se o próprio inimigo tivesse declarando que é sim a pior coisa do mundo. E deu certo, pois como o esperado, a internet fez o que mais gosta de fazer: RPC (Reclamar Pra Caralho). Nos últimos dois anos, movimentos como o feminismo, o anticapitalismo, antiracismo e transativismo sofreram e ainda sofrem com o grande problema que é abrir a cabeça para opiniões diversas e acidentalmente abrir um espaço para que o anonimato se enfie no meio e faça estes movimentos darem tiros nos próprios pés sem o controle do que dizem. O caso do Feminismo Animal não foi a primeira vez que esse tipo de coisa aconteceu, e também não vai ser a última. Ser contra todos esses movimentos de justiça social virou mais do que uma diferença ideológica — para muitos, conectados com o mindset típico por trás da trollagem, virou uma brincadeira, algo que dá ibope, algo pra rir com os amigos por você ter feito algo que gerou um enorme bafafá. Ideologias caem por terra pra dar lugar à rir das pessoas por criarem guerras por conta de nada. Pura ficção.


Há quem diga entretanto que não tem nada de mal nisso. No núcleo do argumento a favor, tem a idéia de que “alguém em algum lugar realmente pensa isso”. Argumentos de que se alguém faz uma página especificamente pra difamar pessoas e ela fica famosa, no meio de quem concorda necessariamente existe uma pessoa de verdade, algum maluco que concorda que o seu cachorro deveria ser feminista, ou alguma coisa idiota assim. É uma tática totalmente imbecil, que age como se fosse existir algum benefício em bombardear sua sala de estar com inseticida por três dias pois TALVEZ tenha alguma barata que você não viu. É conjecturar que TALVEZ, se existir ALGUM nível mínimo de concretude no meio de tudo, então o exagero, a reverberação absurda, o tsunami de informação inútil criado a partir de algo insignificante propositalmente feito para causar discórdia, são necessários. É um argumento circular, que só se explica criando um looping lógico que não leva nada a lugar nenhum.

Isso tudo é, de um certo ponto de vista, maravilhoso. A reação que esse tipo de aplicação do anonimato causa, agora no século 21 da informação e da conexão digital ininterrupta, é uma das formas mais tangíveis do que é a causalidade histórica: uma bola indefinível de milhões de pequenas ações humanas que geram outras ações e unem-se para gerar gigantescas ações que, no fundo, unem-se todas em uma massa sem nome, rosto, descrição ou sentido. O que é quase exatamente a mesma definição de anonimato que eu fiz uns parágrafos acima.

E depois disso, há quem diga que não há problema, pois essas discussões sofrem do mesmo mal que a bola de gude no oceano — são insignificantes, e vão desaparecer tal qual o 101º tópico de uma board do 4chan. Acontece que atos sempre deixam marcas, e discussões sempre deixam memórias. No meio do tsunami de reverberações, no ouroboros de bobagem que é criar casos em cima de invenções, inventar rostos em cima das possibilidades infinitas do anonimato, há quem vá um dia ver essa memória como algo concreto, e dizer que realmente, sem a menor sombra de dúvidas, no ano de 2015 haviam pessoas que disseram todas essas coisas absurdas, e pintar-se-á mais uma camada de concretude em cima de algo que na verdade nunca existiu. Por fim, segue o verdadeiro apelo por trás dessa quase-análise de uma história recente que é pouco comentada: sejam um pouco mais céticos.

Lembrem-se de que 4chans, 55chans, anônimos de orkut, e-mails e notícias falsas, correntes afirmando que uma fonte confiável inindentificável disse tal coisa sobre política, tudo isso existe. Desde que a civilização existe também existem os golpistas, e quem diz que seu nome é outro para ganhar alguma coisa com isso. Agora no século 21, temos também as dezenas de milhões de pessoas que causam o caos só pelo prazer de ver a bagunça e, por conta da história, o caos que se causa sem ajuda de ninguém.

Lembrem-se de que o mundo não é tão absurdo quanto os sites de clickbait e as correntes de whatsapp querem fazer parecer. O mundo real é bem mais sólido do que o pós-modernismo diz que é, e por mais que ele tenha 7 bilhões de pessoas, a raça humana como um todo é consideravelmente previsível. Criem o hábito de checar fontes — e seguem aqui quatro links (curiosamente um que é em si um clickbait) úteis pra isso: 1, 2, 3, 4. Desenvolvam o sentido de perceber quando algo é um pouquinho engraçado demais pra ser tão relevante, ou é fascinante demais pra ser tão simples. Desafiem-se a saber se as pessoas ao seu redor e os lugares aonde você bebe sua água são confiáveis.

Mantenham na cabeça que, em um mundo onde estamos sendo bombardeados por informações o tempo todo, as notícias repetidas e discussões sem novidade vão eventualmente parecer brandas, sem graça, sem sal, sem aquela gotinha arriscada de exagero. Quando aparecer o absurdo, o bizarro e incomum, ele vai nos provocar a ficarmos felizes com a mudança ou indignados que alguém quer sair da linha. Os nomes desconhecidos e identidades perdidas no tempo irão nos tentar consistentemente por uma multitude infinita de motivos absurdos; e no fim, a única coisa que isso pode fazer conosco caso se faça a decisão de puxar o lenço da manga do palhaço pra ver aonde que ele acaba é que o lenço uma hora vai nos puxar de volta pra um emaranhado de falta de lógica e ignorância.

O anonimato, grande culpado de tudo isso, virou a regra do jogo na nossa era de informação globalizada. É, sem sombra de dúvida, uma das materializações mais fortes da causalidade histórica; e esta, por si, não é culpa de ninguém, é uma força inescapável da natureza humana. Para podermos jogar o jogo bem, ao menos tentar estar um passo à frente e podermos entender melhor o que tem ao nosso redor, precisamos manter em mente o quanto que o nosso cotidiano biônico, meio virtual e meio real, é incessantemente permeado por ele. Todo esse caos vai nos confundir sem essa ser nem de longe a intenção dele. O ceticismo torna-se cada vez mais não um traço de personalidade, mas uma ferramenta de sobrevivência.

A maioria das faces e informações que veremos em nossas vidas não terá nunca um nome, uma fonte, uma única possibilidade. Tenhamos em mente, com ajuda do nosso ceticismo, que é exatamente assim que viverão e morrerão: Anônimas.

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