A primeira a gente nunca esquece

Luccas Nunes
Feb 23, 2017 · 2 min read

Hoje venho advogar em favor da escrita.

Sempre adorei ler. Depois de um dia conturbado e estressante, nada me acalma tanto quanto um “chafé”— uma variação de café, muito fraco, que aprendi com minha mãe — e um bom texto. Ora, não me leve a mal, a leitura também é fascinante: é fonte de conhecimento; divertimento e descanso — afinal a mente também cansa!

Para mim, porém, ela trouxe algo mais: a paixão pela escrita. Escrever exige e proporciona tudo aquilo que a leitura pede e dá, mas tem um “que” a mais. Tem um tempero especial, aquela excitação em ver o texto tomando forma; o desespero em não saber como continuar e a satisfação de ver o texto pronto que só quem já escreveu consegue compreender.

Há de saber que escrever é muito mais do que juntar substantivos, verbos, advérbios, adjetivos e objetos.

Escrever é pôr no mundo sua essência; é fazer música para os olhos; é imortalizar aquilo que lhe é caro — o sorriso da pessoa amada ou mesmo suas lágrimas; escrever é sentir e ser sentido.

Escrever é compartilhar alegrias e sofrimentos; é escrever aquilo que palavras não descrevem; é ser amigo das palavras, papel, caneta, sensações e sentimentos; é ser feliz; escrever é ser.

Mas sejamos justos, percebi tudo isso — e conto-lhes tudo isso — graças à leitura, graças a Fernando Sabino e sua derradeira crônica (“A última crônica”). A escrita pura e feliz de Sabino, tão cheia de brasilidade — afeto, calor, amor e alegrias — , despertou em mim a alegria de escrever. Ainda hoje, não posso lê-la sem abrir um largo sorriso que aquece o mais profundo canto de minha existência, sentir imensa gratidão e sonhar que minha primeira crônica seja tão pura quanto o sorriso da eterna aniversariante da Gávea; tão pura quanto a última crônica de Sabino.

Luccas Nunes

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Estuda jornalismo na ECA-USP; corintiano, é apaixonado por muitas coisas, entre elas futebol e escrever. Nas horas vagas ama café também.