De prosa com o Tempo

do filme: Brilho eterno de uma mente sem lembrança

Olá, Tempo!
Hoje você está mais tranquilo,
veio com calma nesse feriado prolongado
mas às vezes você está tão apressado
que mal te vejo passar…
Hoje, não; até se dispôs a um dedinho de prosa.

Queria aproveitar, então, e agradecer…
sem você eu não teria tantas lembranças
e as fotos seriam só imagens na moldura.
Sem você eu não teria rugas
e o rosto no espelho seria sempre o mesmo.
Seria monótono… seria cômodo.
Seria incômodo viver todos os dias
sendo a mesma pessoa, que chatice!

Queria te agradecer:
por sua causa as coisas deram certo, 
e mesmo dando errado,
você deu a chance de reparar, aprender.
Você me ensinou a ser persistente,
a compreender o momento certo
de desistir ou insistir;
me ensinou a ser paciente, a esperar
mas também me pôs pra brigar, quando convinha.

Tempo, você é um grande amigo
que me conhece desde criança
e graças à você
a tristeza virou saudade
o medo virou coragem
a faltar virou virtude.
Às vezes ouço pessoas te difamando,
dizendo que você degenera as coisas
que você envelhece tudo ao seu redor
e que com o Tempo as pessoas se esquecem.
Acho injusto, querido Tempo,
pois só você sabe contar as belas histórias do passado,
e é você quem escreverá inesquecíveis histórias do futuro.

Você nos faz companhia durante toda a jornada,
e a gente só faz reclamar de você…
Deve ser difícil, não é mesmo?
Por isso, hoje decidi parar e te agradecer
por ser esse amigo invisível, 
que cura feridas e enxuga lágrimas
que traz o sopro fresco da beleza
de recomeçar a cada momento.
Por ser esse amigo encantado,
que transitando entre sonho e realidade,
tem me dado o melhor de cada um deles:
tive os meus melhores sonhos realizados
e tive realidades mais incríveis
do que qualquer sonho que tivesse sonhado.

Gratidão a você, Tempo, incansável
que carrega nos seus ombros o passado e o futuro
deixando-me livre para aproveitar o presente!