Eu, Poesia, essa beleza inconveniente

Meu nome é Poesia
vim para falar de beleza
sou meio calada, um pouco tímida
apenas observo e sorrio.
Minha fala é feita de silêncio
energia que vai direto ao coração
pulsa no sangue, ecoa na alma
transcende a morte, transforma em vida.

Sou essa que está escondida
na beleza do dia-a-dia
a despercebida
que poucos reconhecem.
Muitos poucos me conhecem
alguns me acham esnobe
tenho fama de difícil
sou incompreendida.

Porque a beleza que anuncio
não é uma beleza fácil
é uma beleza inconveniente
dos sonhos, do impossível
e que poucos acreditam.
Mas, mesmo invisível, estou aqui
mesmo que me julguem inútil
eu continuarei aqui.

Porque eu não estou na tinta
nem no papel
estou no seu olhar
estampada no espelho
refletida na sua pupila
multiplicada no seu cérebro
entranhada em seu corpo
misturada na sua aura.

Eu, Poesia, 
sou seu lado vulnerável,
a sensibilidade que te nutre
a emoção que te comove
o sussurro que te arrepia.
Sou a beleza que te transborda
quando o “eu” deixa de ser ego
e então “você” se torna “eu”.

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