Diário de uma mente ansiosa

Após algumas semanas [ok, meses na verdade] de trabalho intenso, agenda apertada e cronometrada, tentativas de equilibrar todas as demandas, pouco tempo livre, meus sintomas ansiosos voltaram, como se nunca tivessem diminuído.

Eles são vários. Os físicos envolvem dores na região dos ombros/pescoço e cansaço. Os emocionais e psicológicos se apoderam da minha clareza e tranquilidade, fazendo com que meu cérebro se acelere. Pensa, questiona, decide, volta atrás, duvida, se desespera, tudo isso em segundos. Meus pensamentos focam 100% do tempo nos problemas que precisam ser resolvidos, mas não de uma forma construtiva, levantando soluções, dando ideias criativas. Não. Pensa em cenários absurdos, em tudo que pode dar errado, tudo que pode não funcionar, tudo que deveria ser feito e ainda não foi feito, como outras pessoas teriam lidado com a mesma situação, como eu deveria ter agido diferente, na insegurança se um dia irei conseguir, se um dia vai dar certo, o quanto tudo é tão difícil.

Nesse processo todo, fica mais difícil relaxar, me divertir, concentrar no momento presente [ser mindful], relaxar. Com toda essa pressão, minha paciência com outras pessoas ou em resolver os problemas diminui, tudo fica tão sério. Sou invadida por um sentimento de solidão, de que preciso buscar ajuda, de que devo buscar respostas, como se elas não estivessem dentro de mim, como se a cura fosse vir da fala de outras pessoas.

Sinto que começo a exigir resultados positivos, sem exatamente aproveitar e aprender com o processo como poderia. Sinto que é como se eu prendesse a respiração, determinada em fazer tudo isso passar logo. [Observação: é um perigo querer que tudo apenas passe logo, porque provavelmente não estamos desfrutando de momentos que não vão voltar.] E, em algum momento, vem a culpa ou a pressão de que eu não deveria estar pensando sobre tudo isso. Quem estou me cobrando demais. Que estou sendo ansiosa. Que tenho que “melhorar” logo.

Como me recuperei?

Fazer yoga ajudou. Respirar ajudou. Correr ajudou. Conversar com pessoas importantes pra mim ajudou. Agradecer por tudo que existe de positivo na minha vida ajudou. Focar no processo, para tentar aprender e até mesmo me divertir também ajudou.

No entanto, acho que tiveram 2 pontos fundamentais para eu voltar a reconectar comigo mesma. Eles estão profundamente conectados.

O primeiro foi aproveitar as pausas. Depois de um trabalho entregue, parar de pensar logo no próximo ou em tudo o que ainda deve ser feito e desfrutar o direito de pausar. Para reorganizar a mente e o corpo. Para refletir sobre como foi o processo e repensar nas prioridades.

O segundo foi me conscientizar de todos os sintomas e me questionar o motivo de estar passando por todos eles. Quais eram os medos em questão? Quais eram as causas da pressão que estava sentindo? O que os sintomas estavam querendo me mostrar? Que tipo de pensamento me levavam a esses sintomas? E que decisão eu deveria tomar?

A partir dessas reflexões, criei novas metas e prioridades para os meus próximos dias. Decidi voltar a investir mais na minha evolução espiritual. E percebi que esses ciclos de clareza e leveza vs. ansiedade e pressão são contínuos. Percebi também que a minha evolução não vai me trazer estabilidade, vai trazer novas oscilações de aprendizado.

E que vou dar meu 100% para passar conscientemente por todos eles.

Esses 2 últimos parágrafos me lembraram do Unalome. Ele é um símbolo budista que representa a evolução espiritual, o caminho da iluminação. O espiral simboliza o caos, a oscilação até o nirvana, a linha reta, quando deixamos de oscilar.


Trabalho ajudando as pessoas a transformarem suas vidas e carreiras em busca de realização. Escrevo sobre autoconhecimento, processos de mudança e superação. Visite meu site luciashen.com ou me conheça melhor pelo facebook ou instagram. Se preferir, me mande um e-mail em contato@luciashen.com e ficarei feliz em respondê-lo!

Lúcia Chuan Shen Lorenz
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