Napier para iniciantes

Chegamos finalmente a Napier. O que esperar de Napier? Não tinha muitas expectativas, só queria ter uma semana para descansar um pouco da correria e me curar da minha gripe, mas acho que justamente por ter pouca expectativa acabei me surpreendendo. A viagem já foi surpreendente pela vista e pela parada-surpresa estratégica em Lake Taupo, onde tivemos um tempinho para almoçar e ver o famoso lago. Achamos que não teríamos tempo de visitar Taupo, por isso mesmo a parada foi muito mais legal!

Napier é uma cidade bem “marinha”, com muitas bicicletas, muitas lombas, art deco e belezas naturais. A cidade também é famosa por suas muitas vinícolas. Napier fica localizada na Hawke’s Bay, uma região que também inclui Hastings, Havelock North, Cape Kidnappers, entre outros, sendo Napier e Hastings as mais importantes da região. Apesar da localização estratégica, Napier sofre com as placas tectônicas. Um terrível terremoto em 3 de fevereiro de 1931 destruiu a cidade e uma grande parte do que é hoje o aeroporto e o bairro portuário estava abaixo d’água antes do terremoto. A cidade considera, apesar de destruição, que o terremoto foi muito benéfico, pois fez com que a cidade ganhasse uma área considerável de terra, além de ter possibilitado a reforma arquitetônica que resultou no que é hoje a capital art deco do mundo. O centro da cidade foi todo reconstruído e remodelado nos dois anos seguintes ao terremoto, em velocidade impressionante, e em 1933 a cidade foi reinaugurada com um desfile deslumbrante, demonstrando a força e vitalidade e resiliência de seus moradores. Um dos únicos prédios comerciais que sobreviveram ao terremoto foi construído com base em concreto, enquanto a maioria dos outros eram feitos de tijolo. Na reconstrução então utilizaram a ideia de construir de acordo com esse outro prédio que havia “sobrevivido”. Não apenas um terremoto, mas um incêndio de quase dois dias assolou o que restava da cidade. Mais de 200 pessoas morreram, e Napier nunca mais foi a mesma. A cidade hoje tem grandes montes que a cercam, Bluff Hill e Hospital Hill, que eram muito mais baixos antes do terremoto. Hoje são grandes subidas (eu que diga, já que moro no alto de Bluff Hill). O terremoto e a subsequente reforma da cidade são grandes assuntos em Napier, e formaram o espírito da cidade.Todos os anos, desde a década de 80, acontece na cidade o Art Deco Festival, onde pessoas do mundo inteiro vem a Napier vestidas a caráter para assistir shows, participar de corridas, exposições, jantares e competições. É como se fosse uma grande festa à fantasia para adultos ao ar livre. Esse ano, o festival acontecerá entre os dias 17 e 21 de fevereiro, e é uma pena que não estaremos aqui mais, mas penso seriamente em comprar um vestido lindo de época. Talvez para a próxima edição do festival?



O nome maori para a cidade, Ahuriri, dá nome à vila de pescadores que fica próxima de onde estou morando aqui. Ahuriri é cheia de casas de madeiras antigas que, pasmem, sobreviveram ao terrível terremoto mencionado anteriormente. Os prédios de tijolo e vários dos de concreto desabaram completamente, enquanto as casinhas de madeira aguentaram (e aguentam ainda) firme os vários terremotos anuais que a cidade tem.
Bluff Hill, Hospital Hill, Jardim Botânico e Centennial Gardens

A Bluff Hill tem o famoso Bluff Hill Lookout, que dá uma vista de 360º de toda a Hawke’s Bay e do porto. Além da Bluff Hill, temos tambem Hospital Hill, que tem esse nome por ser o local onde costumava ficar o hospital de Napier, que há anos já estava desativado e hoje os pacientes todos são levados para Hastings. Nem Bluff Hill nem Hospital Hill costumavam ser tão no alto antes do terremoto, assim como o jardim botânico de Napier, que possui espécimes do mundo inteiro trazidos e plantados em meados do séc XIX, época em que os jardins ficavam próximos do mar. Durante uma das várias guerras que os ingleses provocaram no mundo, um grupo de soldados parava no jardim para se refrescar, quando ele ainda ficava perto do mar.


Os Centennial Gardens, que ficam perto da minha casa, no Bluff Hill, são basicamente um jardim e cachoeira artificial construído por presos da prisão histórica que ficava defronte. Os presos escavaram a face do monte para construir o jardim.


Mission Winery
No primeiro dia ainda pudemos dar uma passadinha na Mission Winery, e fazer um Wine Tasting. A Mission é uma vinícola que era tradicionalmente administrada por monges maristas. Imagina entrar para a vida religiosa e passar a vida fazendo vinho. Que difícil, né? E com essa vista?



Aquarium
Na beira do mar na área de Napier City, na Marine Parade, encontramos o National Aquarium of New Zealand, referência nacional (e mundial) no cuidado e catalogação de espécies marinhas nativas, e na preservação de animais ameaçados. Ali pudemos presenciar o momento em que os cuidadores alimentavam os pinguins que moram no Aquarium. A Nova Zelândia tem várias espécies de pinguins, e muitos são menores do que os encontrados no resto do mundo. O aquarium resgata pinguins que estão em situação de risco, tratam e os devolvem à natureza, mas alguns se machucaram de tal forma que não terão chance se voltarem ao mundo selvagem, então acabam ficando como residentes permanentes do Aquarium. Esses são pinguins que perderam uma asa, um olho, alguns tem traumatismo craniano e até um que sofreu vários derrames. Cada um tem um nome, data de nascimento, e motivo pelo qual está machucado, ou em risco. É muito interessante a campanha de conscientização que tanto o Aquarium quanto o governo da Nova Zelândia promove. Por todo o prédio se podia ver placas explicando quais eram os perigos que a interferência humana causava para os animais marinhos. Podia-se ver também sacolas plásticas penduradas para lembrar aos visitantes os estragos que seus objetos diários podem causar na vida desses animais.





Uma das partes mais interessantes do Aquarium é o corredor de água. O visitante entra dentro de uma espécie de tubo, onde há uma esteira para os preguiçosos, e um local para parar e observar os peixes que nadam acima de nossas cabeças. Os visitantes ficam separados dos peixes através de um vidro de 7cm de espessura, e que bom, porque as raias gostavam de passar bem pertinho da gente! Chegamos nesse corredor bem no momento em que um mergulhador entrava na água para alimentar os peixes e os tubarões. O moço era muito simpático, fazia várias gracinhas, e até pediu para tirar uma selfie. Além disso, trouxe uma estrela do mar e a colocou bem acima de nossas cabeças, o que foi uma experiência maravilhosa, pois pudemos ver de perto os detalhes desse ser muito bizarro.



