Uma longa jornada

Mundo vasto esse, não? A maioria de nós vive a maior parte de sua vida no mesmo cantinho do mundo. Mesmo os que gostam de viajar, morar fora, estudar fora, vivem por longos períodos da vida no mesmo lugar. Esquecemos que existem outros lugares, ainda não explorados (e alguns que não queremos explorar), mas me parece engraçado pensar nas distâncias que existem entre nós.

A viagem do sul do Brasil para a Nova Zelândia confirmou a minha impressão de que não importa toda a tecnologia e os avanços do ser humano no quesito transporte, a viagem de avião até lá ainda é questão de quase 3 dias. Não importando que o teto do avião da Emirates era estrelado e que pudemos passar uma noite em Dubai. Continua sendo uma jornada longa, e cansativa. Além disso, para os que temem a morte e temem perder tempo nessa nossa vidinha curta, perder um dia da vida por causa das atuais 15 horas de diferença entre a Nova Zelândia e minha casa em Porto Alegre pode ser devastador. Não foi, mas poderia.

A viagem começa com um tempo grande de espera em Guarulhos. 8 horas, pra ser exata. 8 horas com uma mala, tudo por causa de um erro do estagiário da companhia aérea. Em meio a oito horas de espera fomos perseguidas por um cara estranho que queria nos vender livro de auto-ajuda, tive um momento de choro regado a chope 500mL e uma pizza que foi a ideia mais infeliz que aconteceu na história da civilização humana, visto que iríamos embarcar logo depois para uma viagem de 13 horas. No avião, como sempre, nos atualizamos nos mais recentes filmes e comemos muito ovo (por que, Emirates?)

Mesquita

Chegando em Dubai, o choque cultural, que começava pelas roupas, pelas línguas, pelo luxo. Tudo envidraçado, espelhado, limpo, moderno, e a Oriente em sua plenitude e variedade caiu com tudo em cima de nós após 13 horas de viagem. Mesmo sabendo que Dubai é uma exceção das exceções, o gostinho daquela mistura toda e daquele destino tão diferente deu um novo gás. A janta e o café da manhã do hotel onde passamos a noite era uma mistura de culinária indiana, árabe, chinesa, japonesa e americana, com algumas outras influências. Os que comiam ali também eram mistura de tudo isso.

Cansadíssima das 13 horas de viagem mais espera e chá de banco em portão de embarque, achei que ia capotar na cama do hotel e deixar o passeio pra Dubai para uma próxima, mas um brasileiro super parceiro e pilhado pra conhecer Dubai mais um stand oferecendo tour noturno de 2h (entre meia-noite e 2h da manhã) me pareceu uma oferta irrecusável. Fomos, tiramos fotos, vimos uma quantidade meio exagerada de hotéis 5 estrelas, e até um de 7, vimos a vida noturna super agitada dos locais, vimos lojas e restaurantes abertos em plena madrugada, vimos carros de luxo cheios de mulheres de lenço dirigindo enquanto se maquiavam para a festa mais tarde, jovens sendo jovens e muitas fotos do Sheik em outdoors pelas ruas. Que lugal surreal, que cultura diferente. Foi um estrondo, e agradeço a minha persistência, e a sofrência que a falta de sono me causou depois valeu muito a pena.

Burj Khalifa

E agora? De Dubai a Melbourne era o próximo passo. Depois de uma certa espera, atraso do avião, etc, entramos em um avião extremamente moderno com mais centenas de pessoas. O vôo de 12 horas até Melbourne começou meio mal, com algumas crianças berrantes e um alemão do nosso lado fazendo pshht para os pais, que nada podiam fazer, mas acabou se tornando tranquilo, mas não menos cansativo. O alemão ficou mais feliz e mais conversador ao longo das 12 horas, e mais tolerante aos berros das crianças a bordo.

Pousamos em Melbourne. Costumava odiar o momento em que as rodas do avião encostam no chão da pista de pouso, mas a sensação de que o nosso destino se aproximava cada vez mais me fez mudar de ideia. A espera em Melbourne me fez querer dar um pulinho ali fora do aeroporto e ficar por ali mesmo, apesar do tempo feio. Queria pedir pra sair, literalmente, mas ainda tinha 3 horas de vôo pela frente.

O céu estrelado do avião

O pouso em Auckland foi ovacionado por mim (internamente, é claro), e a emoção das rodas encostando no chão venceu tudo o que tinha passado e prometia muitas novas aventuras e descobertas pela frente.

Pousamos, passamos pela imigração, fomos cheiradas por cachorros simpáticos na área de desembarque, e a cidade de Auckland que tanto esperamos ver nos cumprimentava com um sol maravilhoso e com verdes que chocavam nossos olhos após tantas horas de ver o padrão bege das poltronas do avião.

Nova Zelândia, atravessei o mundo para te ver, sua linda! Sinto que não vou me decepcionar, e perder um dia da minha vida terá valido muito a pena se posso ganhar alguns dias, e semanas, nessa terra de tanto sol e tanto verde.

Kia Ora, Aotearoa!

Gabi, a colega, amiga e parceira das próximas quatro semanas.
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