Sonhei que estava trabalhando… e não foi um único dia! São semanas sonhando com as mesmas coisas! Se não é a rotina do trabalho, são as cobranças do doutorado. E se não são as coisas do doutorado, é todo o resto: contas pra pagar, família pra cuidar, cobrança de amigos, pensamentos sobre os fracassos amorosos e por aí em adiante….

Dormir sempre me faz pensar em um monte de coisa negativa e nas coisas que não acontecem na minha vida. Acho que o fato de estar sem férias há mais de três anos tem contribuído pra isso e a mania de olhar para as coisas não tão boas já faz parte da minha personalidade. Característica que venho tentando mudar. A corrida ajudou bastante na minha auto estima, mas o fato de não conseguir me dedicar a isso como ano passado vem me entristecendo. Ter deixado de desenhar é outra coisa que me aborrece bastante e ter deixado de escrever as minhas impressões fazia parte desse rol.

Digo que fazia parte porque a partir de hoje não será mais! Escrever sobre as pequenas coisas bacanas que acontecem rotineiramente e as situações engraçadas que volta e meia eu me encontro vão me ajudar a compor essa Luciana de sorriso fácil e gargalhada escandosa!

O mais curioso é que esse costume começou nos primeiros anos da faculdade, quando eu tinha um fotolog. Saí uns anos depois, voltei em 2009 e saí de novo em 2011. Da primeira vez que deixei essa plataforma cometi o grande erro de não salvar as histórias, erro que não voltei a cometer em 2011 porque acabei de resgatar esses escritos e o curioso é que em setembro de 2009 eu voltei ao fotolog e exatamente pelo mesmo motivo: escrever pra distrair a cabeça e ajudar a clarear as idéias!

E pra começar com chave de ouro, transcrevo aqui, com pequenos ajustes, as frases de 2009!

Pois é… Depois de alguns anos de ter saído do fotolog, resolvi voltar!

Por quê? Pra desabafar… Pra relatar meu dia a dia… Pra contar as decepções… Pra contar as alegrias… Pra montar um diário, o qual possa ser lido por diversas pessoas e se tornar inspiração para várias delas!

Quem ler, vai se identificar com algumas situações e talvez entender porque esse mundo é tão injusto!

Depois de várias porradas, eu volto, das cinzas, tal qual Phoenix!

E pra começar com chave de ouro, minha fonte de inspiração, Álvaro de Campos!

Antes de copiar o poema apenas algumas observações: 1. Lido por várias pessoas, essa pretensão eu não tenho mais… se alguns amigos queridos lerem essa joça toda já vai ser de bom tamanho e quanto menos gente ler essa bagaça é melhor pra não me acharem doida, 2. Tornar inspiração também já deixou de ser um objetivo, casa um tem que se inspirar em si mesmo e eu não quero ser inspiração de ninguém! Se alguém rir das bobagens que eu colocar aqui já me dou por satisfeita, 3. Porradas… vixe, foram tantas em 2009 que eu não quero nem lembrar, 2009 foi foda e eu tenho muito orgulho da Luciana que passou por tudo aquilo sem entrar em colapso! O bom de reler isso é perceber que a minha vida, apesar do marasmo que se encontra, tá é maravilhosa perto daquela rotina do inferno que passei em 2009! 4. Entender porque o mundo é injusto é impossível. Melhor aceitar que dói menos… tempo passou, vida que seguiu e eu só pude vivenciar incontáveis situações injustas, seja em relacionamentos, seja no trabalho. O mundo é injusto desde que o mundo é mundo e nada de ficar refletindo sobre as causas das coisas… 5. Chave de ouro – procurar outra expressão… vc usa a mesma desde 2009! Eita falta de criatividade hein, mulher?! Fala sério… e tu nem gosta de ouro! Anotar que vc precisa usar ou criar uma expressão melhor!

Bom, depois dessas notas – uma delas dedicada a mim mesma – melhor reler Fernandão!!

Nunca Conheci quem Tivesse Levado Porrada

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo,

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

Que tenho sofrido enxovalhos e calado,

Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,

Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,

Para fora da possiblidade do soco;

Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,

Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,

Nunca foi senão princípe – todos eles princípes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,

Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Quem contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó princípes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses!

Onde há gente no mundo?

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,

Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos, in “Poemas”

E pra não terminar assim com um poeminha de um cara morto que obrigam a gente estudar pro vestibular e que os hypsters gostam de citar em mesa de bar pra pagar de intelectual descolado, copio o post seguinte ao primeiro de 2009. Pra variar a vida estava corrida… parece que isso é minha sina! E pra eu não me perder naquilo que foi escrito anos atrás, farei pequenos comentários sobre algumas ideias ingênuas que permeavam a minha mente na época!

Pois é… Eu disse que estaria de volta, mas postei uma vez e sumi!

Correria, minha gente. Correria…

Mas depois de tanto correr, parei. Hoje, tudo voltou ao normal (ou quase tudo) e percebi como a minha rotina é maravilhosa!

Caramba! Como eu era otimista! Maravilhosa o caralho! Eu estava maior fudida na época! Terminando a faculdade, sem perspectiva de emprego, acabado de terminar um namoro que me tirou do eixo por anos, num apartamento cheio de vazamento e com problemas elétricos, num estágio que arrancava meu couro e mal remunerado! E olha que eu nem usava drogas… acho que foi pra jogar charme e dizer que estava tudo bem quando não estava nada bem!

Chove… Chego em casa, tomo meu banho, coloco meu bom e querido pijama xadrez, respondo aos meus e-mails, faço uma bebida quente e percbeo como a vida simples é maravilhosa.

E não é preciso de mais nada!

Bom, hoje também chove! Aliás choveu o final de semana inteiro! Chegar em casa, tomar banho de fato são coisas legais pra se fazer… pijama xadrez! Caralho! Tenho o mesmo pijama há mais de sete anos! Ou o pijama é muito bom ou eu sou a pessoa mais mão de vaca desse mundo! Anyway…. O pijama é bom e eu estou usando ele nesse exato momento! Hahahahaha! Tô rindo alto! Isso é muito minha cara! Ter a mesma roupa durante anos e anos! Tá aí uma coisa que eu gosto de mim… pareço um personagem de gibi. Tenho o mesmo estilão de sempre! Jeans, blusa sem estampa, chinelo ou tênis, pijama igual aos tempos que escreveram Gênesis!

A frase “não preciso de mais nada” foi meio exagero na época, mas pensando em termos de roupa, olhando para o meu armário hoje eu de fato não preciso de mais coisa… acho que só umas calcinhas novas, algumas estão furadas e isso não é legal! Rs…

Evidente que emoções e aventuras dão uma apimentada na rotina, mas depois de nadar a 120 km/h durante meses, dar uma desacelerada é bom! É muito bom!

Hum… já até sei porque eu escrevi isso! Estava passando por uma seca do cão e eu tentando me convencer que ficar sozinha era melhor! Bom… não que esteja pegando geral hoje, mas a situação melhorou consideravelmente desde então e o mais importante: na época, por mais que eu negasse com toda a minha força, eu ainda era perdidamente apaixonada pelo homem mais mau caráter nessa terra e eu demorei uns bons anos pra superar esse babaca! Tenho muito que me orgulhar disso… superar aquele imbecil talvez tenha sido a coisa mais difícil pra superar nessa vida. Parece exagero de novela mexicana, mas o filho da puta – sim, eu sei que essa é uma ofensa machista e a mãe dele não tem nada a ver com isso, mas agora eu tô no meu momento de lazer e não vou queimar meus neurônios sendo 100% politicamente correta – pisou em mim de um modo que eu jamais permitirei outro homem ou qualquer outra pessoa de fazer o mesmo. Foram dias de muito choro…

A única coisa que vai mudar a partir de hoje serão meus posts. Eles farão parte da minha rotina sempre que possível.

Mas quem pensa que eu vou relatar meu dia-a-dia aqui está enganado. Na verdade, usarei esse espaço para minhas divagações…

Quem me conhece, sabe bem do que estou falando… Sabe aquelas observações que só você percebe? Aqueles pensamentos que só surgem na sua cabeça? Aquelas situações que só acontecem com você? Aqueles detalhes que ninguém vê só você? Pois é… eu tenho o dom (ou a maldição) de passar por tudo isso…

E por isso resolvi compartilhar minhas impressões cotidianas aqui.

Não pretendo fazer do meu fotolog o mais acessado, o mais visto, nem nada… Até prefiro que o mínimo de pessoas vejam isso aqui. Aliás, prefiro que somente meus amigos leiam isso, pois somente eles serão capazes de entender o que vou escrever aqui…

Esse será meu diário, semelhanças ao de Bridget Jones não serão meras coincidências! hehehehe

Aqui ficarão minhas crônicas que passei a anotar depois de uma experiência no metrô, que aliás será a primeira a ser escrita ainda nessa semana!

Aguardem.

Olha só! Mesmo objetivo! Dei várias voltas e tá aí o propósito desse monte de letrinhas juntas!

O mais engraçado é perceber que as situações nonsenses já estão na minha rotina desde sempre! E aprimorando: de Bridget Jones – personagem bacana e que eu curti por muito tempo, mas que tem o objetivo principal de encontrar o homem da vida e hoje, sinceramente, não sei se isso realmente existe… olhando para a minha vida, os períodos de maior tristeza foram os anos que passei namorando. Sei lá qual o motivo, mas eu me torno uma pessoa completamente diferente quando estou com alguém, uma angústia sem sentido toma conta de mim, tenho insônias constantes, emagreço, fico doente com mais frequência… hoje eu realmente me questiono se eu sou aquele padrão de pessoa que nasceu pra conviver com outra do lado – passo a usar como referência Jerry Seinfield! Mano, se vc nunca viu Seinfield, sua vida está incompleta! Opinião é como bunda, cada um tem a sua e só dá quando pedem, então eu já sei o que uma opinião é, mas mesmo assim, na minha opinião Seinfield é a melhor série de todos os tempos e o resto é o resto tentando ser uma séria bacaninha!

E sobre o post do Elvis, meu…. Ainda bem que eu tive meu momento epifânico e salvei aquela postagem! Eu tinha esquecido completamente que eu tinha encontrado o Elvis no metrô! Mas essa postagem vai ficar pra próxima porque agora já passou da hora de ir dormir, amanhã, segundona, é dia e não é dia de comprar móveis nas Casas Bahia!

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.