Precisamos falar sobre ciúmes

Outro dia no ônibus a caminho do trabalho ouvi a seguinte frase entre duas mulheres, provavelmente colegas de trabalho:
“Ele (namorado) não me deixou usar biquíni, a gente estava na praia.” disse uma delas, enquanto a outra afirmou que já havia passado por situação semelhante.
As duas continuaram a conversar sobre como os respectivos namorados eram ciumentos.
Aquilo me fez refletir sobre como os relacionamentos modernos ainda vivem sob a névoa de décadas passadas.
Ainda existe uma visão romantizada sobre relacionamentos abusivos, isso prejudica muitas mulheres a não enxergarem o que há por trás de uma crise de ciúmes ou a proibição de usar tal peça de roupa.
De um lado, ensinam mulheres de que o ato possessivo e ciumento significa amor, só é amor de verdade se a pessoa sente ciúmes. Do outro lado também ensina que ser ciumento é amar de verdade. Dessa maneira se cria um ciclo vicioso entre sentir e/ou aceitar o ciúmes alheio.
É preciso parar de romantizar abusos, é preciso dar voz as mulheres que já passaram por isso, é preciso repreender pessoas que façam isso e justificam com amor.
Ciúmes não é amor, controle não é amor, possessividade não é amor. Isso é o início de um relacionamento abusivo, o que pode se tornar em abuso psicológico e mais tarde, violência física.
Eu não tive coragem, mas gostaria de virar para as duas moças e dizer para caírem fora o quanto antes, aquilo era cilada.