O amanhecer chega frágil, frio e doce.
Pétalas de chuva se derramam sobre o asfalto.
Uma lentidão previsível se acomoda no meio da cidade, quase como regra.
Ruídos se elevam, úmidos.
Pílulas.
Pele amarela.
Dormir às 22:00.
Sonhar com chocolate, acordar às 03:20 e descobrir que não sobrou um pedaço do bolo de aniversário pra mim.
05:45
No frenesi louco das palavras, esbarrei na folha de papel.
A tinta se derramou em espirais e linhas retas.
Deslizei a pena em verbos, sujeitos, predicados, adjetivos e pronomes.
De alcance mínimo
Predestinada, a porta se abriu para:
Os vasos, as rosas nas janelas
As trepadeiras enroscadas no solário
Os rostos emoldurados no retrato
E então amanheceu de novo.
Depois de uma noite de descrença.
E outra de raiva.
Amanheceu e eu escolhi não ignorar a tua passagem — afinal, eu te senti em minha carne.
Eu abracei descrença e raiva, como fossem bençãos, e hoje eu acordei em sã…