Cá estou: voando insanidades madrugada adentro. Escolhendo um afeto fácil que bem pode ser aquele pacote de balas que, bem sei, vai me estragar os dentes depois.

E então começou a doer, de novo. A mente (os dentes machucam menos, às vezes). Quando começo a acreditar que, enfim, esse caminhar só chegou ao fim, a paranoia me consome — chega travestida do que eu chamo de intuição. Eu sempre acho que sei tudo, que percebo tudo, que está dando tudo errado de novo. E de novo. E de novo.

E me perco no meu travesseiro, insone, a taquicardia, as lágrimas que chegam sem me dar trégua. E de novo eu sei que a terapia poderia me ajudar e me pergunto onde é que eu estou com a cabeça que ainda não tratei de me cuidar. Eu não sei. Eu não sei. Eu nunca sei.

Eu me saboto. Eu me obstruo, me boicoto e me desalento e me fragilizo e me perco de novo de mim, cada vez mais. Eu não sei mais acreditar — nem mais em mim. Tudo se torna tão grande e tão pesado de repente e toda a paz se esvai, como nunca tivesse chegado.

O cansaço é só o que sobra, preso nessa máscara fria que eu visto quase todos os dias, quando eu quero gritar — para mim mesma — que eu importo, que eu faço diferença, que eu valho a pena.

Quero acreditar. Em mim. No mundo. Nas pessoas. No amor. Na reciprocidade.

Quero acreditar.

Mas desaprendi.