Arco e flecha

“Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. 
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força 
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe. 
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: 
Pois assim como ele ama a flecha que voa, 
Ama também o arco que permanece estável”

Khalil Gibran


Sou eternamente grata ao Arqueiro Divino por me dar forças, coragem e desprendimento para lançar para longe as flechas que tanto amo.

Desapegar não é fácil, mas é preciso se queremos ver nossos filhos crescerem como profissionais e principalmente como seres humanos.

Desde que abrem os olhos para o mundo nós estamos lá. Cuidando de cada detalhe, doando nosso amor e nossa dedicação.

Vamos lapidando aos poucos “as nossas flechas” até que elas descobrem que são capazes da própria construção.

Certa vez li que educar é ensinar a fazer escolhas. Essa é a melhor definição!

Fazer escolhas não é nada fácil.

Para isso primeiro é preciso se conhecer muito. Saber quais são seus verdadeiros valores. Aqueles que você valoriza não só porque te ensinaram, mas porque fazem bem para seu coração e para sua alma.

Nunca conseguirei crescer por minhas filhas, mas dei a elas valores e crenças e as incentivei a irem em busca do autoconhecimento.

Foram muitas conversas (ainda são), muitas brigas também.

Nesse dia a dia, de encontros e desencontros é que vamos aprendendo sobre nós mesmas. Tanto elas, quanto eu.

Falar e aprender a ouvir. Ensinar e ter a humildade para aprender. Vale tanto para o arco quanto para as flechas.

Saber disser “não” nos momentos certos, para as atitudes que precisam ser corrigidas. Isso está no manual das mães e pais!

Saber dizer “sim” mesmo que não concordemos tanto, mas que percebemos que vão lhe deixar felizes ao expressar o que realmente são. Como as tatuagens e os piercings…rsr.

Minhas filhas tem várias mas eu só permiti quando tiverem condições de fazer e pagar por elas. Porque? Pois se um dia vierem a arrepender, não me culparem : “mãe, como você me deixou fazer isso?” 😫

Eu sei que não vão se arrepender, mas preferi me previnir. Aprendi isso com elas mesmos. Quando crianças fizerem pequenas escolhas das quais depois se arrependeram (coisas simples como corte de cabelo, roupas). Na época eram importantes mas depois perderam o sentido. E ao verem as fotos antigas vinha sempre o desejo de culpar a mãe. 😤

Hoje já são maduras o suficiente para entender que são responsáveis pelas consequências de suas escolhas. Escolhas cada vez mais importantes e que vão definir o alvo a ser atingido. 🎯

Já são flechas prontas, lindamente tatuadas, para se jogar ao infinito. Para voar com a coragem de correr riscos.

Valeu cada “não” e cada “sim” que eu disse durante todos esses anos. Errei muitas vezes, acertei muitas vezes.

Hoje sou o arco que permanece estável. Para onde elas sabem que podem sempre voltar! ❤️


Acabei de descobrir qual vai ser a minha primeira tatuagem! 🤔 A tempos vinha pensando sobre isso. Você já adivinhou, né? 😉