Ainda há esperança fora da timeline

Hoje estava eu pedalando pro trabalho, como de praxe, dessa vez indo pelos sobe-e-desce da ciclofaixa da João Ramalho. Por acaso, a via estava bastante movimentada, muita gente, pra lá e pra cá, utilizando a bicicleta do Itaú e também com as próprias bikes.

Parando em um semáforo, um senhor gordão, de voz grave e bastante alta, daqueles que sentam no final da tarde em boteco de bairro e gritam, reclamando dos crimes que aparecem no Datena, falou comigo.

“Essa porra desse prefeito botou essa ciclovia, mas essa porra é uma mão na roda, né?”

Desse exato jeito, “porra” como vírgula.

Pelo jeito que ele falou, pensei que ele tava reclamando, brigando ou sei lá. Precisei conter a revolta inicial pra entender que, na verdade, era um elogio.

“Me dá uma raiva que esse pessoal reclama sem saber que estão implantando uma porra dum hábito saudável pra caramba.”

Pois é, né?

Ele se despediu e acelerou o carro.

Eu voltei à minha pedalada, feliz por ver que no mundo lá fora, para além dessa timeline turbulenta aqui, nem tudo está perdido.